Categoria: Notícias Libertárias

  • Atenas: A primeira manifestação de desempregados na Grécia

    Nesta quinta-feira, 15 de dezembro, foi realizada a primeira manifestação de desempregados na história de um país que já conta com mais de um milhão de desempregados. Mais de 1.000 pessoas se reuniram na praça principal de Syntagma (Constituição), e em seguida marcharam pelo centro da cidade, distribuindo folhetos e rompendo por quase uma hora a normalidade consumista, já tão pertubada por causa da situação económica e social. A marcha passou pelas duas sedes do Ministério do Emprego e acabou nos Propileos da antiga Universidade de Atenas, entre a praça principal de Syntagma e a praça de Omonia (Concórdia), onde a marcha já tinha passado.
    Alguns dos lemas gritados no protesto:
    Terrorismo é procurar por trabalho, nenhuma paz com a patronal;
    Sindicalismo classista, nem estatal nem partidário;
    Vitória para os trabalhadores da “Siderurgia Grega”, o inimigo está nos bancos e nos ministérios;
    Os desempregados não são números, organização e resistência aos patrões;
    Sem você nenhuma engrenagem roda, um trabalhador pode sem patrões;
    40 horas por 500 euros, bofetadas e pontapés a cada patrão;
    Ódio classista, os desempregados nas ruas não têm dia de folga.
    Pode ser que não houve uma participação muito grande, mas considerando que esta foi a primeira tentativa de fazer uma ação auto-organizada pelos desempregados, se pode dizer que foi um começo de um esforço que vai continuar . A próxima mobilização dos desempregados de Atenas será na outra quinta-feira, 22 de dezembro.
    agência de notícias anarquistas-ana
    Nuvens inquietas
    sobre o lago
    zen.
    Yeda Prates Bernis
  • [Espanha] A revolução árabe por vir

    É certo que nós libertários podemos ter certos motivos para olhar com desconfiança para a “Primavera Árabe”. No entanto, não é possível ignorar que, no contexto de confronto social e da turbulência política que estão sendo experimentados em grande parte dos países árabes, estão florescendo alternativas políticas originais. Tudo isso enquanto a desilusão crescente das massas até a democracia “para o Ocidente”.
    Aqueles de nós, afortunados o suficiente para manter freqüentemente longos debates políticos ou filosóficos com homens e mulheres árabes, sabem que tanto nossa visão eurocêntrica da história como nossa mania catalogadora de pensamentos e ideologias são dois muros mentais que dificultam a compreensão. O ser consciente desses preconceitos é o que pode nos permitir compreender por que os movimentos trabalhistas de base marxista, e também o anarquismo, não têm sido muito populares na história do povo árabe. Embora o apoio mútuo, a autogestão, a autonomia popular e o sentido do coletivo são uma constante no comportamento social dessas nações. Isso ocorre em qualquer sociedade humana e, em minha opinião, nestas com mais força. Como indica o comunicado de apresentação do Centre Libertaire d’Etude et Recherchement (CLER), “está claro que o pensamento anarquista é marginalizado e que é desconhecido em Marrocos. No entanto, no passado recente, a sociedade marroquina tem tido uma prática libertária em sua vida cotidiana. Esta é uma vida em comunidade, em que a ajuda mútua, a autonomia, a propriedade coletiva sempre estiveram presentes, isto é, que esta prática social cotidiana é conhecida, independentemente de sua classificação ideológica. Era um caminho, onde se observa uma forte relação com o que é chamado projeto libertário. Nesta sociedade, a ação era mais importante do que qualquer classificação ideológica”. Para não ir muito longe, neste artigo só quero referir-me brevemente aos acontecimentos mais próximos a nós, ou seja, os eventos na vizinha nação alauita. Nela, assim como na vizinha Argélia, a agitação social tem crescido exponencialmente nos últimos cinco anos. No entanto, espero ter a oportunidade de dedicar um artigo para o incipiente movimento anarquista sírio-libanês.
    Um marco na história do movimento operário marroquino é, sem dúvida, a greve histórica de 850 mineiros de Khourigba, que mantêm há mais de um ano e meio um confronto não só com a patronal da empresa OCP, mas também com as autoridades estatais marroquinas. Os trabalhadores de Khourigba receberam no verão passado a visita de uma delegação da regional exterior da CNT e de outra da CGT.
    Além disso, em Ait Bouayach (província de Alhucemas), a cidade tem protagonizado recentemente várias tentativas de ocupação da Câmara Municipal, após o despejo de uma viúva idosa de sua casa. Na mesma localidade tem havido contínuas manifestações e denuncias de corrupção e de crueldade do poder local, desde que em junho deste ano o conflito eclodiu.
    Também em Mrirt (província de Khenifra), os protestos contra a atividade da multinacional de mineração Twist deixaram recentemente dezenas de feridos. Neste protesto os elementos trabalhistas e ambientais estão interligados, uma vez que a população também mostra abertamente sua rejeição, tanto à degradação do ambiente natural que produz a atividade de mineração, como as condições de exploração dos trabalhadores na mina.
    Também foram dezenas os que sofreram represálias durante o processo de luta de favelas na periferia de Casablanca e Mohammediyya, bem como Baurfa, cidade onde os dirigentes sindicais da CDT (Confederation Democratique des Travailleurs – Confederação Democrática dos Trabalhadores) foram presos.
    Com este aumento nas lutas sociais, a população percebe o Estado cada vez mais claramente como um instrumento de repressão nas mãos do poder econômico. No momento, se está degradando a imagem “sacralizada” do regime, liderada pela figura quase sagrada do Rei Mohammed VI, oficialmente aliado com ninguém menos que o Profeta Maomé.
    Este processo é muito complicado, pois, como afirmado pelo ativista marroquino exilado na Espanha Hafsa O Habti e seu parceiro Aziz ibn Naser, “no Marrocos as alternativas democráticas são vistas como parte do problema. Como ideologias estrangeiras… as pessoas estão muito apegadas à figura do Rei, e do Islã, porque representam as origens do povo árabe e de uma idealizada sociedade tribal coletiva, diante às agressões de um capitalismo cada vez mais grande e encorajado ante a Coroa. Este tem sido um processo de liberalização econômica e de atração de investimentos que tem significado uma invasão total por corporações estrangeiras que violam e agridem os usos e costumes locais, bem como os direitos humanos”.
    Neste contexto, é normal um renascimento das lutas populares. Resta ver o caminho que estas lutas terão, descartado o legalismo monárquico e a democracia ocidental. Honestamente, eu não colocaria a mão no fogo que a alternativa que ao final ocorra seja precisamente libertária. Mas estou segura que será um caminho ligado aos dois valores que compõem a identidade coletiva árabe: o forte senso de comunidade e potente espiritualidade, traduzidos, insha Allah [se Deus quiser], em propriedade coletiva e respeito ao desenvolvimento das virtudes humanas, que, como sabemos, ocorrem apenas quando se desfruta de plena liberdade.
    O Centro Libertário de Estudos e Pesquisa – um exemplo da repressão do pensamento anarquista no Marrocos
    Em 2006, Brahim Fillali, um sociólogo e jornalista marroquino, de ideologia anarquista, tentou colocar em prática, com outros companheiros libertários, um centro de estudos libertários em Boulmane Dades, província de Ouarzazate. Todas as licenças foram negadas pelas autoridades locais. Apesar disso, Fillali continuou lutando, até mesmo através da greve de fome, pela cessão de uma parcela de terreno público para realizar este projeto. Isso inclui a criação de uma biblioteca, e de encontros de debate, bem como a pesquisa sociológica das tradições coletivas e federalistas dos imazighem (berberes), a partir de uma perspectiva libertária. No ano anterior, tinha sido incendiado o local em que Fillali editava desde 2004 o jornal “Ici et Maintenant” (Aqui e Agora), um bilíngüe bimestral em árabe e francês. Através deste meio, o jornalista havia informado sobre as lutas dos trabalhadores em minas de manganês de Imini, da corrupção das autoridades locais e da violência policial. A luta de Fillali pode ser seguida através do blog www.fibra.over-blog.com.
    Por D. Martín Arteaga, estudante de Estudos Árabes e Islâmicos.
    Fonte: Jornal “CNT” 383 – novembro de 2011.
    agência de notícias anarquistas-ana
    Silêncio na caixinha
    dentro, dormindo,
    a bailarina de sainha.
    Humberto Firmo
  • [Grécia] Tessalônica: Igreja e Polícia colocam na rua pessoas sem-teto

    Na terça-feira, 13 dezembro, às 7 da manhã, a Polícia realizou uma operação para evacuar a ocupação “Epiviosi” (Sobrevivência), onde haviam se refugiado mais de 30 pessoas sem-teto. O proprietário do edifício é a Igreja Católica da Grécia¹, que não hesitou em praticar o seu discurso sobre o amor ao próximo, etc., etc., fazendo uma denúncia e expulsando as pessoas paupérrimas sem-teto que tinham procedido à ocupação do edifício abandonado. Os policiais “corajosos” dos chamados grupos antidistúrbios detiveram essas pessoas e levaram-nas para uma delegacia nas proximidades.
    No comunicado da Ocupação Social Aberta “Epiviosi” (Sobrevivência) diz: “supõe-se que todos vão ser postos em liberdade, menos os imigrantes em situação irregular. A Polícia apreendeu várias coisas dentro do prédio e é provável que o isole. Essas coisas são todos os itens que vocês tem nos oferecido, assim como nossos pertences pessoais. Igreja e Estado em plena cooperação e, em concordância com o espírito do Natal, estão atacando e jogando nas ruas pessoas sem abrigo e imigrantes que buscam um resquício de esperança. Precisamos do seu apoio. Quantos mais são os solidários, melhor para nós. Informar as pessoas, espalhar a notícia, precisamo-los”.
    O edifício da ocupação, cujo proprietário é a Igreja Católica, durante os últimos 5 anos tem estado totalmente desabitado. A ocupação surgiu recentemente durante o auge do movimento dos “indignados” e seu objetivo era criar uma rede de apoio de solidariedade com as pessoas desabrigadas e sem possibilidade de produzir comida. A brutalidade da Igreja e do Estado é infinita e ilimitada. Este é outro grande “êxito” da grande Democracia burguesa, de suas instituições (neste caso da Igreja e da Polícia) e do “espírito de Natal…”
    De acordo com informações que nos chegam, a Polícia selou o edifício, deixou em liberdade todos os detidos e manteve alguns esquadrões fora do edifício. A Igreja Católica retirou a queixa que havia posto, já que o que quis fazer se realizou. As pessoas que viviam na Ocupação serão transferidas para outros abrigos até o início de janeiro. Às 20 horas do mesmo dia foi realizada em outro lugar uma assembléia, em solidariedade com os desabrigados.
    [1] Não é expresso no título, para não criar falsas impressões que nos voltamos apenas contra a Igreja Católica. O papel de todas as igrejas é o mesmo. Portanto, não as diferenciamos. A Igreja, chame como se chame, é um dos mais básicos aparatos de manipulação de consciência da Soberania. E como tem sido demonstrado novamente neste caso, também é uma organização lucrativa e um mecanismo cruel.
    agência de notícias anarquistas-ana
    A princípio: “O que é aquilo?”,
    Mas depois…
    “Campos de arroz!”
    Paulo Franchetti
  • [Reino Unido] “Red and Black Umbrella”: um novo centro social ocupado para Cardiff

    É novo! É livre! É em Cardiff!
    Lê-se no panfleto: “Você deve ter recebido a notícia de que nós nos mudamos para o antigo Tredegar Hotel [na rua Clifton], então pensamos que devemos nos apresentar. Nós somos o Coletivo “Red and Black Umbrella”, e pretendemos tornar o bar abandonado em um centro social. Acreditamos que as pessoas devem estar antes do lucro. Estamos cansados dos cortes governamentais que nos afetam enquanto os políticos e banqueiros se enriquecem. David Cameron quis uma grande sociedade e…”
    Um novo centro social
    No fim de semana, com alguns dos agora ativistas sem-teto recentemente despejados da fábrica centro social em Bristol, algumas pessoas mencionaram um novo centro social recém-aberto em Cardiff. Eu tinha decidido parar em Cardiff no meu caminho para casa de qualquer forma para visitar o novo local Occupy; logo depois me direcionei a mesma rua onde os infelizmente há muito tempo desaparecidos People’s Autonomous Destination (PAD) estiveram, Rua Clifton, para ver por mim mesmo sobre o “Red and Black Umbrella”..
    Dia de abertura
    Embora o prédio tenha sido ocupado há algumas semanas, o Coletivo gastou a maior parte do tempo tornando-o habitável e fazendo reparos essenciais, então sábado [19 de novembro] foi – ocasionalmente – seu dia de abertura “oficial”. Eu fui saudado por um grupo de pessoas amigáveis e sorridentes do lado de fora. Do lado de dentro, eles estavam servindo gratuitamente (ou por doação) bebidas quentes, com uma fileira de deliciosos bolos veganos espalhados convidativamente pelo bar.
    Há um sentimento amigável de bar no local, na semi-escuridão por conta das cortinas nas janelas (que substituíram o compensado anterior, que havia fechado toda a luz). Uma bem estocada mesa de materiais colocada do lado de dentro do espaço e uma tela tinha sido colocada no canto para exibir um “squatdocumentário” sobre ocupações nos EUA. Iria ter música ao vivo mais tarde, pelos músicos de Cardiff, Cosmo e Gail, mas não pude ficar para isso.
    O panfleto
    O panfleto do Coletivo continua:
    “Encorajamos a participação, e queremos usar o prédio em seu máximo potencial. Somos contra “chain pubs”, e “posh flats” que parecem estar tomando nossa cidade e nossas comunidades. Estamos oferecendo algo completamente diferente aqui na Rua Clifton, e qual a melhor coisa? Será tudo gratuito!”
    “Se você quiser aprender algo, nos diga e iremos tentar e encontrar um professor! Se você tem uma habilidade e gostaria de compartilhá-la, venha e faça um workshop!”
    “Queremos criar um ambiente seguro e convidativo para todos. O centro social será uma zona livre de drogas e álcool, para que as pessoas venham juntas, compartilhem habilidades e idéias, conheçam novas pessoas, façam arte, vejam filmes e aprendam novas línguas”.
    Convidados indesejáveis
    Desde que ocuparam o prédio, o Coletivo teve de lidar com diversas intromissões, do proprietário quebrando janelas nos fundos, numa tentativa final bem sucedida de iniciar um diálogo (não tentem isto em casa, pessoal), policiais ameaçando arrombar a porta caso não se permitisse que entrassem, e bombeiros tentando apagar uma pequena e controlada fogueira no quintal.
    A resposta do Coletivo aos policiais:
    “No Halloween, a polícia se voltou para o Tredegar Hotel e tentou derrubar nossa porta. Eles não se identificaram como policiais. Pedimos para que parassem, e colocamos uma nota legal na porta para que lessem. Ela explicava que somos ocupas e estamos vivendo aqui, e é ilegal a qualquer um quebrar isto. Alega-se que alguém denunciou um assaltante no hotel; nós asseguramos então que não somos assaltantes – longe disto! Estamos cuidando e renovando este prédio, mas eles quebraram as trancas de nossa porta e entraram ilegalmente em nossa casa. Eles ignoraram a nota legal que demos a eles e temos todo o incidente registrado em vídeo. Estamos considerando tomar ações legais ou alternativas. O anúncio afirma que há pelo menos um de nós no prédio em todos os momentos, e se alguém for para quebrar poderá enfrentar 6 meses de prisão ou uma multa de 5000 libras”.
    O que acontece?
    Existe um monte de planos para usar o espaço.
    O Food Not Bombs de Cardiff irá cozinhar lá quinzenalmente e existem outras idéias sobre outros possíveis Food Nots: Food Not Borders [Comida, Não Fronteiras]; Food Not Bailiffs [Comida, não Oficiais de Justiça]….
    A Prisoner Support irá se encontrar semanalmente para escrever cartas de solidariedade e planejar outras ações solidárias a aqueles que estão na prisão.
    Uma cozinha comunitária irá servir comida quente com alimentos doados.
    Comida será doada para o Occupy Cardiff. Dúzias de hambúrgueres veganos foram feitos pelo coletivo para a ocupação Castle antes de seu fim prematuro. Agora a ocupação retorna, e se espera mais do mesmo.
    Também há planos para noites de filmes e discussão, compartilhamento de habilidades, workshops, música ao vivo e outras coisas.
    Tudo gratuito ou por doações. Ninguém irá embora por impossibilidade de pagar.
    Foda-se facebook
    Enquanto estava saindo, alguém me deu uma cópia de um zine, terceira edição de “Fuck Off Facebook”, e me disse que passou cópias para o Occupy Cardiff, que parece ser basicamente organizado exclusivamente por via desta rede social de espionagem. Uma ótima publicação relatando sobre uma turnê de verão pela Europa com pouco dinheiro, falando sobre os melhores locais alternativos: o espanhol Nowhere Festival, arte de rua em Valência, Rainbow Valley em Andaluzia, cena anarquista de Roma, cena anarquista na Eslovênia, e outros lugares. Com uma página repleta de anti-propagandas da Coca-Cola e Colgate.
    Últimas palavras do coletivo “Red and Black Umbrella”
    “O centro social é para que todos façam parte. Esperamos que você se junte a nós. Se você tem quaisquer interesses, perguntas ou sugestões, por favor nos ligue ou envie mensagem para  07748 385375, nos escreva um e-mail para theredandblackumbrella@hotmail.co.uk, ou venha e diga olá e bata na porta! Nos vemos em breve!”
    VG
    Tradução > Marina Knup
    agência de notícias anarquistas-ana
    todo mundo giz
    que ali jazz um haicai
    porque blue – ou bliss?
    Bith
  • [Indonésia] A polícia islâmica prende dezenas de punks para “reeducação”

    [O fato ocorreu na província indonésia de Aceh, no norte da ilha de Sumatra. Na última incursão policial 64 jovens foram presos na saída de um concerto e enviados a um centro para “restaurar a sua moral”.]
    Os 64 jovens, cinco delas meninas, foram presos na noite de sábado (10 de dezembro) no Parque Taman Budaya de Banda Aceh, onde acontecia um concerto beneficente, e na terça-feira (13 de dezembro) eles foram levados para uma academia de polícia para receber “reeducação”, disse o jornal The Jakarta Globe.
    “Primeiro cortamos o cabelo deles. Em seguida os banhamos em uma piscina. Demos-lhes uma lição”, disse o inspetor-chefe da Polícia de Aceh, Iskandar Hasan. O funcionário, que negou que o castigo é uma violação dos direitos humanos, acrescentou: “Trocaremos a roupa tão desagradável por roupas mais bonitas. Vamos dar sabão, escovas de dentes e creme dental, calçados e equipamentos para rezar”.
    O chefe de Polícia acrescentou que convidará o Conselho Islâmico de clérigos para que participem em “restaurar a moral e a maneira correta de pensar” dos detidos.
    Os jovens, que permanecem detidos apesar do fato de que nenhuma acusação contra eles foi apresentada, passarão 10 dias na escola recebendo aulas de religião, explicou o vice-prefeito de Banda Aceh, Illiza Sa’aduddin Djamal, ao portal tribunnews.com . “Depois de receber essas orientações esperamos que possam viver uma vida normal”, disse ele. “As comunidades punk não devem existir em Aceh porque aqui as pessoas estão comprometidas com o cumprimento da lei islâmica”, declarou o vice-prefeito.
    A Coalizão para os Direitos Humanos de Aceh criticou a ação da polícia por violenta e ilegal. “Eles não fizeram nada errado. A música punk é sua maneira de expressar-se e estão no seu direito de livre expressão”, disse o diretor da organização, Evi Narti Zain. No início deste mês, a polícia prendeu outros 25 jovens punks em Banda Aceh e lhes raspou a cabeça por considerar que os seus moicanos eram contrários à lei islâmica e causam desordem pública.
    Após três décadas de conflito separatista, o governo indonésio aprovou uma lei especial para Aceh que autoriza esta província a implementar o código penal do Alcorão. A legislação prevê, entre outras coisas, o apedrejamento por adultério e chicotadas em público para as pessoas que têm relações sexuais antes do casamento.
    Fonte:

    agência de notícias anarquistas-ana
    são areias brancas
    o terreiro de iemanjá
    saias rendadas brancas
    Pedro Xisto
  • [Reino Unido] Relato sobre o “Protesto Mumia Abu-Jamal Livre Já” em Londres

    Na última sexta-feira, 9 de dezembro, em Londres, dezenas de pessoas protestaram em frente a Embaixada dos Estados Unidos das 5 da tarde às 7 da noite, reivindicando a libertação imediata e incondicional de Mumia Abu-Jamal. A ação foi chamada pela “Campanha de Defesa Mumia Abu-Jamal Livre” do Reino Unido.
    Um número considerável de ativistas marcharam da esquina Speakers, ao longo da Rua Oxford, pedindo pela liberdade de Mumia e de todos os presos políticos, e depois se juntaram aos outros manifestantes na Embaixada estadunidense, na praça Grosvenor.
    Inicialmente, o espaço externo da Embaixada foi dividido com outros ativistas que clamavam por ações de combate às mudanças climáticas.
    Oradores da Irish Political Prisoners, FRFI, Pan African, Uhuru, e outros trouxeram o apoio de suas organizações para o protesto. Linn Washington, da campanha pró-Mumia da Filadélfia, também participou do evento.
    O ato foi alegrado com a notícia de que o Estado não irá buscar reimpor a pena de morte para Mumia. Mas uma mensagem do MOVE nos relembra que isto não significa que eles não querem Mumia morto. A Polícia Federal e outras forças reacionárias ainda estão ameaçando seus direitos e sua segurança na prisão.
    A TV Russia Today esteve lá para filmar o protesto e entrevistar alguns participantes sobre por que o caso de Mumia é importante e por que ele deve ser libertado imediatamente.
    Membros da “Campanha de Defesa Mumia Abu-Jamal Livre” também participaram de um encontro público em apoio a Mumia realizado na Metrolpolitan University, onde o companheiro Togogara esteve falando sobre o caso.
    Fotos:
    Tradução > Marina Knup

    agência de notícias anarquistas-ana
    após a festa da aldeia
    ficou ainda um crepe
    a lua-cheia
    Rogério Martins

  • [Espanha] Livro: Policiais, porcos, assassinos. Crônicas do dezembro grego. 2008

    Editora: Klinamen. 330 páginas. 2011.
    “[…] Quando chegaram a Patission e encontraram-se nos arredores do portão histórico da Politécnica, que havia sido atacada por tanques em 1973, cortaram a avenida sem perguntar o que fazer e, a seguir, cantaram o típico lema “Batsi, gourounya, dolofoni!” – “Policiais, porcos, assassinos”. Ao presenciar esta cena, me senti em êxtase. Compreendi neste momento que o avião da insurreição havia decolado. Era maior do que nós. Não estou dizendo que nos superou, embora muitos de seus participantes pensem assim. Talvez tivessem superado-os porque eles achavam que nunca iriam passar por uma coisa dessas. O que a insurreição conseguiu foi superar as idéias pessimistas, que pensavam que algo assim nunca poderia acontecer”.
    Este livro reúne os testemunhos de vários dos protagonistas de Dezembro de 2008, um momento carregado de um profundo fundo social, político e histórico, que se vinculam com a história das lutas dos últimos trinta anos. O livro, cujo título – ‘Policiais, porcos, assassinos’ – é uma canção popular em todas as manifestações gregas; descreve o que aconteceu na Revolta de Dezembro em diferentes partes de Atenas e outras cidades helênicas e a participação dos anarquistas. Tal participação se caracterizou – e se caracteriza – para a prática da revolta social sem mediadores e sem ilusões de fazer mudanças dentro do sistema existente, propondo a auto-organização contra qualquer tipo de organização hierárquica, propondo a contraviolência frente à violência estatal e a solidariedade contra a individualização e as divisões artificiais criadas pelo poder.
    Muitas pessoas adotaram métodos dinâmicos de luta e processos de auto-organização, sem representantes e sem fazer exigências. Dezembro não só continua uma cultura de violência política, também semeou uma nova tradição de auto-organização e oferece um importante impulso social para se organizar a partir de baixo. Estes processos de auto-organização não têm a violência assassina da Polícia como o único objetivo, mas todas as expressões de Autoridade: desde a forma como vivemos, trabalhamos, produzimos ou consumimos a questões de saúde, meio ambiente, de tudo. Todos os aspectos da Autoridade são frentes de batalha para as pessoas que se auto-organizam e lutam desde baixo, nem sempre violentamente, mas sempre contra o Estado.

    agência de notícias anarquistas-ana
    Duas verdes palmeiras
    as folhas lá bem no alto
    namorando o vento.
    Isnelda Weise
  • Documentário: Emma Goldman, uma Mulher muito Perigosa

    Emma Goldman: An exceedingly dangerous woman”. Este é o título original do documentário de Mel Bucklin, que aborda a figura de Emma Goldman (Kaunas, 27 de junho de 1869 — Toronto, 14 de maio de 1940), considerada por mais de trinta anos como a inimiga pública número um dos Estados Unidos, não por cometer atos violentos, mas por utilizar a arma mais perigosa que está à mão de todo ser humano: a razão.
    Com uma vida apaixonante, Emma Goldman, junto com Alexander Berkman, se encontrará no olho do furacão do movimento anarquista. Célebre anarquista de origem lituana, conhecida por seus escritos e manifestos radicais, libertários e feministas, também foi uma das pioneiras na luta pela emancipação das mulheres.
    Veja o vídeo aqui, com legendas em castelhano:
  • Documentário: Emma Goldman, uma Mulher muito Perigosa

    Emma Goldman: An exceedingly dangerous woman”. Este é o título original do documentário de Mel Bucklin, que aborda a figura de Emma Goldman (Kaunas, 27 de junho de 1869 — Toronto, 14 de maio de 1940), considerada por mais de trinta anos como a inimiga pública número um dos Estados Unidos, não por cometer atos violentos, mas por utilizar a arma mais perigosa que está à mão de todo ser humano: a razão.
    Com uma vida apaixonante, Emma Goldman, junto com Alexander Berkman, se encontrará no olho do furacão do movimento anarquista. Célebre anarquista de origem lituana, conhecida por seus escritos e manifestos radicais, libertários e feministas, também foi uma das pioneiras na luta pela emancipação das mulheres.
    Veja o vídeo aqui, com legendas em castelhano:
  • [Argentina] Mulheres anarquistas


    Virginia Bolten
    Nascido no Uruguai, Virginia Bolten chega à Argentina e se estabelece na cidade de Rosário, no final do século XIX. Em meio ao clima de luta que envolvia a cidade, Bolten encabeça uma grande coluna de homens e mulheres na manifestação popular em 1º de maio de 1890, na praça López.. Seu discurso inflamado faz com que seja presa, por atentar contra a ordem social. Rumores da história dizem que foi a primeira mulher que falou em uma assembléia trabalhista. Logo se mudaria para Buenos Aires. Por seus contínuos discursos que infundem o anarquismo, sofre uma contínua perseguição militar. Faz parte do Comitê Feminino de Greve, que mobilizava os trabalhadores do Mercado de frutas. Em 1907, como membro do Centro Feminino Anarquistas, inicia a greve de inquilinos. Por isto é deportada para seu país natal. Seu local de residência será Montevidéu.
    Juana Rouco Buela
    Chega à Argentina em 1900 da Espanha e se estabelece em Buenos Aires. Aos quinze anos ingressa no movimento do 1º de maio de 1904. Era sua primeira participação em um ato trabalhista. Tempos depois, representa as mulheres da “Refinaria Argentina”, de Rosário, no Congresso da FORA. Em 1907, organiza o Centro Feminino Anarquista, e participa da greve dos inquilinos. É deportada e retorna à Espanha. Após seu retorno, como pode fazê-la em seu país, se muda para Montevidéu e de lá começa uma forte atividade de propaganda com Bolten e María Collazo.
    Ingressa de forma clandestina ao país, e em 1910 é detida, extraditada a Montevidéu e presa por um ano. Em 1914 viaja clandestinamente a Paris, e quando é descoberta desembarca no Brasil. Retorna para a Argentina, e se envolve nos eventos da Semana Trágica. Viaja pelo país com o apoio da população rural e industrial. Em 1921, fundou em Necochea o Centro de Estudos Sociais Femininos e cria o periódico feminista “Nuestra Tribuna” (Nossa Tribuna). Em 1928, participa do III Congresso Internacional Feminino. Morreu aos 80 anos, em 1969.
    Rosa Dubovsky
    Nascida na Rússia e perseguida pelo regime czarista, foge com seu marido Adolfo para a Turquia. Adolfo se alista no exército enquanto fazia o serviço militar, e ali entrega um arsenal de armas aos revolucionários. Antes se casam em segredo: Rosa parte para França, e seu esposo, a Buenos Aires. Em 1907, reencontraram-se em Rosário, quando ele trabalhava nas ferrovias, e ela trabalhava como modista.
    Na cidade de Santa Fé, Adolfo milita no campo anarco-sindicalista e Rosa participa das reuniões de mulheres anarquistas. Fundou uma biblioteca, exclusivamente para mulheres, chamada de Emma Goldman. Após o golpe de 30, o casal e seus seis filhos fogem para Buenos Aires, apesar da falta de segurança. Em 1936, Adolfo morre. Dubovsky começa a trabalhar como empregada de tapeçaria e estofamentos. Participa na FORA e na Federação Libertária Argentina até 1972, ano da sua morte.
    Fonte: Agência Paco Urondo
    agência de notícias anarquistas-ana
    Passos largos
    Sorriso aberto
    Brisa fina
    Kátia Ribeiro de Oliveira