Autor: cordellibertario

  • [EUA] Anunciando a Turnê Anarquista de Abolição Penal


    Teatro Insurgente (produtores de peças anarquistas e sobre abolicionismo penal como em “Belly and Ulysses’Crewmen”) está anunciando uma turnê de sua nova peça: Todos os Policiais são Bastardos, em conjunto com um novo documentário sobre a Rebelião de Lucasville: A Sombra de Lucasville.

    Membros do Teatro Insurgente tem trabalhado com a organização “RedBird Prison Abolition” desde sua criação, focados particularmente em apoiar os esforços da Rebelião dos Prisioneiros de Lucasville e Sean Swain. Essa nova turnê irá arrecadar verba e suporte a todos estes projetos.

    ACAB é uma peça de 90 minutos que examina as profundezas da psicologia policial, a história da aplicação da lei nos Estados Unidos, novas tendências de policiamento e formas de resistência contra a polícia e contra as prisões.

    A Sombra de Lucasville é um documentário de 60 minutos realizado por D. Jones acerca da rebelião carcerária de 1993 na Instalação Correcional do Sul de Ohio em Lucasville. Prisioneiros que estão no corredor da morte como resultado de acusações falsas, na base da rebelião, irão contatar o evento para responder a questões sobre suas experiências.

    Organizações locais e advogados prisionais serão encorajados a participarem dos eventos e construir uma organização na direção de uma rede mais forte de anarquistas contra as prisões e contra a polícia. Esta turnê é em grande parte inspirada dos telefonemas frequentes recebidos dos então encarcerados anarquistas Lorenzo Komboa Ervin  e Memphis Autonomia Negra para anarquistas brancos para atualizar nossa análise e alterar nosso apoio: de uma pequena lista de prisioneiros políticos para uma atenção ampliada ao encarceramento em massa.

    A primeira turnê irá de Columbus, Ohio, para Machias Maine entre os dias 7 e 25 de agosto, mas oTeatro Insurgente está pronto para levar estes projetos em qualquer lugar, por todos os lados, nos próximos 6-9 meses. Se você gostaria de agendar uma peça em sua cidade, entre em contato com Ben no e-mail insurgent.ben@gmail.com.

    Do Teatro Insurgente


    Tradução > Malobeo

    agência de notícias anarquistas-ana

    Árvore curvada
    tentando catar folhinhas
    caídas no chão

    Lena Jesus Ponte
  • [EUA] A entrevista de Mumia Abu-Jamal que tentaram esconder


    [No último dia 5 de junho, após Mumia Abu-Jamal conceder uma entrevista telefônica ao programa radiofônico do advogado Michael Coard chamado “Radio Courtroom” (Tribunal na Rádio), o Departamento de Correções (DOC) estadunidense proibiu as chamadas telefônicas para ele como castigo. E somente em 13 de julho, depois de uma campanha popular de pressão, Mumia voltou a receber ligações e participar do programa de rádio do advogado Michael Coard. E, finalmente, depois de um ano e meio, o DOC aprovou as visitas normais do filho de Mumia, Jamal Hart, que poderá também levar o seu filho e neta de um ano para visitar Mumia. Pois é, Mumia é bisavô! A seguir, a transcrição da entrevista de Mumia que tentaram esconder. Mumia livre já!]

    Michael Coard > Hoje é um dia absolutamente histórico. É a estreia do Radio Prison Showapresentado por Mumia Abu-Jamal e co-apresentado por seu advogado Michael Coard, do programa Radio Courtroom em 900AM-WURD. Estaremos em contato com Mumia Abu-Jamal periodicamente. Mumia o pai. Mumia o esposo. Mumia o jornalista. Mumia o autor. Mumia o revolucionário. E Mumia preso temporário. Antes de qualquer coisa, Mumia, como se sente hoje?

    Mumia Abu-Jamal < Muito bem. Obrigado por perguntar.

    Michael > E te pergunto sinceramente. Falo por parte da comunidade e estamos preocupados por sua situação, seu bem estar. Mas este é seu programa, Mumia. Pode improvisar. Eu nada mais vou fazer que lançar umas poucas perguntas e espero que o leve aonde quiser. Primeiro gostaria que repartisse com os ouvintes o que é o trabalho rotineiro ou a brutalidade cotidiana que ocorre na prisão. Coloquemos os ouvintes em seus sapatos. Conte-nos de um dia seu e de qualquer outra coisa que queira acrescentar.

    Mumia < Pois, se eu pudesse modificar um pouquinho a pergunta…

    Michael > Sim, por favor.

    Mumia < Falaria do dia de uma pessoa típica, porque acredito que de muitas maneiras, minha realidade não é igual. Eu trabalho todos os dias. Leio muito diariamente. Passo muito tempo estudando. Não estou dizendo que não existem outras pessoas que não fazem o mesmo. Sim, existem. Há homens que me superam nisto, mas não acredito que seja um acontecimento raro, notável ou desconhecido que muitas pessoas que não vão bem na escola se graduam no sistema industrial carcerário, ou como dizemos, o complexo industrial carcerário. E aqui estão mal equipados para estudar porque têm dificuldades para ler, escrever, compreender. Muitos homens são analfabetos. Por isso, seu dia consiste em trabalho monótono e pesado. Trabalho árduo. Porque há poucas opções para alguém que deseja obter educação.

    Desgraçadamente, como mencionei, estar aqui é uma espécie de graduação. Existem aqueles que leem e estudam se encontram possibilidade, e pela primeira vez em sua vida aprendem coisas fora do ambiente escolar que deveriam ter aprendido muitos anos antes. Mas para a maioria, desgraçadamente, há só oportunidades perdidas devido às ações do senhor que alguns chamamos entre risadas “o primeiro presidente negro” (risos). Falo de William Jefferson Clinton. Fez muitos cortes em bolsas de estudo e outras oportunidades educativas. A lógica do ex-presidente era que estas coisas não estavam disponíveis a pessoas no “mundo livre” e por isso, não deveriam estar disponíveis aos presos. É uma visão invertida do mundo.

    Na verdade, estes programas devem estar disponíveis a todas as pessoas nos Estados Unidos. Mas como bem sabe, sendo advogado, não há tal coisa como um direito constitucional a educação. Por isso temos milhões de pessoas que não podem desenvolver-se, não podem aprender. E essa é a experiência de muitos homens neste tipo de situação.

    Michael > Mumia, me agrada que tenha modificado minha pergunta, e antes de chegar à segunda, me permita te perguntar sobre o que disse ao modificá-la. Mumia, por que e como é tão desinteressado? Por que pensa sempre na situação de outros e nunca fala das injustiças que fizeram a você pessoalmente?

    Mumia < Pois, eu não diria nunca, diria raras vezes (risos). A verdade é que [interrupção]… Falemos desta prisão onde estou, por exemplo. Aqui tem cerca de 2.200 homens. Tem 51.000 no estado da Pensilvânia. Se checasse os 50 estados e Porto Rico, encontraria 2.5 milhões de pessoas, quase a maioria dos quais são pessoas afro-americanas. Por isso, não podemos ignorar o que, e o que seria para qualquer comunidade uma imensa catástrofe.

    Michelle Alexander escreveu um aclamado livro intitulado “O Novo Jim Crow¹”, no qual faz algumas observações arrepiantes muito fundamentais. Por exemplo, diz que o número de homens negros na prisão nos Estados Unidos hoje em dia supera o número de pessoas mantidas em regime de escravidão em 1855 justamente antes da Guerra Civil. Também diz que o número atual de homens negros, e mulheres negras também, nas prisões dos Estados Unidos supera o número de encarcerados na África do Sul durante o regime de apartheid em seu apogeu. Lá pessoas negras em todas as partes do país, incluindo líderes, legisladores, acadêmicos e ativistas protestavam contra a feiura do regime de apartheid. Pois nós já ultrapassamos essa feia realidade, mas a camuflamos com um presidente negro, prefeitos negros, diretores e comissários carcerários negros. E o efeito em nossa comunidade é profundo. 

    Então quando falo de tudo isto é porque não se comenta o suficiente. O faço porque a realidade é óbvia todos os dias. Se mais pessoas falassem disto, eu não teria que dizer uma só palavra, não? (risos)

    Michael > Bem dito. Queremos escutar mais sobre isto. Me deixe te fazer outra pergunta: Quanta fé tem, se é que tem, no sistema legal?

    Mumia < Bem, acredito que a fé é para amantes ou sacerdotes, digo gente religiosa. Não acredito que a lei seja um lugar para o amor ou a religião. Durante muitos anos tenho dito que não tenho nenhuma fé, nenhuma confiança no sistema. Nenhuma. E o sistema tem mostrado que tenho razão.

    É interessante que me pergunte isto agora mesmo. Estou escrevendo um livro junto com o cineasta Steve Vittoria, e por isso estou investigando a Suprema Corte. Tenho lido uns quatro livros sobre o tema dentro das últimas três semanas. E quanto mais leio, menos motivo tenho para ter fé nesta instituição tão apregoada. O que os juízes tem feito é apoiar todo tipo de repressão jamais conhecida pela humanidade.

    Michael > Sim, concordo.

    Mumia < Ou quando não o fazem, quando criticaram ou expressaram oposição ao injusto, ou o declararam inconstitucional, o que passa no mundo real é muito diferente do que encontramos em suas opiniões.

    Michael > Sim, sim.

    Mumia < Houve um caso decidido em meados de 1880, onde determinaram que o confinamento em solitária (o isolamento prolongado em uma cela) era inconstitucional, que era um castigo cruel e incomum. Imagina! Seria assombroso obter uma decisão como aquela hoje em dia, quando existe muito mais gente confinada em solitárias por um fator ao redor de 1.000. 

    Pelo menos 25.000 pessoas vivem em isolamento quase total em todas as partes do país nas prisões de controle em cada estado e no sistema federal. Estamos falando de manter aos homens sós em uma cela, muitas vezes com nada, não durante dias ou meses, mas durante anos e décadas.
    Sob a lei internacional, isto normalmente se chama “tortura”, porque somos animais sociais, criaturas sociais a quem nos faz falta a interação social com outras pessoas.

    Então ter fé na lei seria uma loucura.

    Michael > Bem dito. E me permita seguir com outra pergunta. Se as pessoas razoáveis já não tem fé ou confiança no sistema, que fazemos quando há uma injustiça descarada? Que fazemos a respeito do complexo industrial carcerário? E suponho que a pergunta mais ampla é buscamos reforma ou buscamos revolução? Como se promove uma mudança se não trabalhamos desde dentro, usando o sistema, usando a lei?

    Mumia < Pois eu considero de uma maneira um pouco diferente e te direi o porquê. Antes mencionei a Michelle Alexander. E tem um motivo para retomar o que disse. Em seu livro “O Novo Jim Crow”, ela diz que dada a magnitude do complexo industrial carcerário hoje em dia, nada menos que um movimento massivo começará a sacudir esse baluarte de repressão. É o que impactou o sistema original de segregação racial denominado “Jim Crow” e faz falta o mesmo agora. Se as pessoas decidirem… Não diz na Declaração de Independência que as pessoas tem direito de mudar ou abolir seu governo?

    Michael > Sim senhor, sim senhor.

    Mumia < É algo que as pessoas têm que decidir. E diz respeito aos que chamamos ativistas, ou radicais, ou revolucionários, fazer este chamado. Cabe a eles organizar as pessoas, levantar um movimento [interrupção], um movimento dirigido a esta grande injustiça social de nossos tempos.

    Michael > Mumia, falas desta grande injustiça social de nossos tempos. Se tivesse que classificar as grandes injustiças atuais, se sentiria a vontade dizendo, está é mais grave, esta é a segunda? Qual considera a mais flagrante, se é que tem uma mais flagrante? Seria o complexo industrial carcerário? Seria outra coisa? Haverá um monte? Você, o que diria?

    Mumia < Para que haja claridade, evitaria falar de um monte, ainda que talvez um monte de injustiças venham a mente. (risos) Para simplificar, e para explicar claramente a necessidade de organizar um movimento, diria que não é uma coincidência que na cidade da Filadélfia estão fechando 27 escolas, principalmente na comunidade negra. Em Chicago, estão fechando 54 escolas. Poderíamos falar do mesmo no Harlem ou em Rochester ou em Detroit – em cidades por todas as partes da nação negra. A educação é a porta, ou me permita reformular isso – a falta de educação é a porta para o complexo industrial carcerário.

    E por que acha que estão fechando escolas principalmente na comunidade negra? Porque têm planos para que todos os jovens de toda uma geração migrem para as ruas e logo depois para as prisões onde podem os explorar economicamente. Milhões de dólares que se devem gastar nas comunidades negras da Filadélfia Norte, Filadélfia Oeste e Germantown irão para os povos carcerários de Waynesburg ou até aqui em Mahanoy. Porque o censo conta as pessoas. [interrupção]. Então o dinheiro recolhido dos impostos que se devem gastar em transportes, educação e saúde se gasta nesta parte do estado onde agora há mais gente (encarcerada). E Filadélfia Norte, Filadélfia Oeste e Germantown perdem cada vez mais. A educação e o complexo industrial carcerário estão relacionados. São parte da mesma coisa.

    Michael > Mumia, recebemos o aviso de que só temos mais 60 segundos nesta chamada. Não deixe de falar, por favor. Queremos escutar suas sábias palavras. Só quero te perguntar mais uma coisa. Como mantém sua agilidade mental, seu senso de humor? Estou te disparando perguntas e suas respostas são rápidas e às vezes divertidíssimas. Como o faz?

    Mumia < Leio muito. Estudo muito. Tornou-se um hábito que não posso deixar. Tem que estar preparado quando uma oportunidade se apresenta, como é o caso agora. Obrigado, meu irmão. Foram grandiosos esses 15 minutos.

    Michael > Obrigado a você, Mumia, e vamos seguir com isto. Muitíssimo obrigado por seu tempo. Diria “fique firme”, mas sei que de todo modo já vai o fazer.

    [1] Jim Crow. O nome do sistema de segregação racial tomado de um personagem em espetáculos de música e dança que apresentavam estereótipos raciais protagonizados por atores brancos com o rosto maquiado de negro.

    A Rádio Prision Show com Mumia Abu-Jamal e Michael Coard é transmitida toda a primeira quarta-feira de cada mês, às 12hs (horário estadunidense) como um segmento da Rádio Courtroom em 900AM-WURD, na Filadélfia.

    Assine uma petição para exigir sua libertação imediata:


    Escreva uma carta a Mumia:

    Mumia Abu-Jamal #AM8335
    SCI Mahanoy
    301 Morea Road
    Frackville, PA 17932
    EUA

    Infos sobre o caso Mumia, em português:


    Tradução > Caróu

    agência de notícias anarquistas-ana

    Flores azuis
    no fundo de águas rasas.
    Dama-do-lago.

    Gladston Salles

  • [Grécia] Em Exarchia, brutamontes da polícia dão início a motim atacando pessoas com garrafas de vidro, foguetes e bombas de efeito moral


    No sábado, dia 20 de julho, os brutamontes da polícia motorizada Delta entraram em Exarchia, uma das regiões mais vibrantes de Atenas, enquanto centenas de pessoas participavam de dois diferentes eventos de solidariedade ao anarquista Kostas Sakkas, que esteve em greve de fome por 38 dias porque foi preso por 31 meses sem julgamento pela auto-proclamada “democracia” grega.

    Como retrata o vídeo (link abaixo), os brutamontes da polícia Delta em suas motos começam a intimidar e perseguir transeuntes por razão alguma; então que as pessoas se reúnem em reação às táticas terroristas da polícia, recebendo como resposta dos policiais bombas de efeito moral, granadas de gás asfixiante, foguetes e mesmo garrafas de vidro vazias!

    Centenas de pessoas se reuniram no local para persegui-los e começaram a cercá-los, enquanto os residentes, de suas sacadas, jogavam água contra os brutamontes policiais para forçá-los a ir embora, seguindo a destruição que causaram.

    Confrontados por tantas pessoas, os brutamontes da polícia Delta, em conjunto com a polícia antidistúrbios chamada para dar assistência, foram logo forçados a recuar e deixar a área.

    Vídeo:


    Tradução > Malobeo

    Notícia relacionada:

    agência de notícias anarquistas-ana

    Canta alegre o sabiá
    faz folia o bem-te-vi
    — natureza assovia

    Rogério Viana
  • [Grécia] Kalamata: manifestação antifascista e proibição de celebração de um festival neonazista


    Há poucos dias, autoridades municipais de Messinia (província de Kalamata) revogaram a autorização que anteriormente haviam concedido ao partido neonazista Aurora Dourada para que realizasse um festival de 2 a 5 de agosto na cidade de Kalamata, no sul de Peloponeso. Este festival seria comemorativo ao golpe de Estado que o militar Metaxas realizou em 4 de agosto de 1936, pelo qual impôs uma ditadura fascista até 1940. Os neonazistas iriam celebrar este festival no mesmo lugar onde, em 1934, a polícia e o exército mataram seis trabalhadores portuários durante uma greve.

    A autorização concedida ao partido Aurora Dourada para realizar esta festa fascista em Kalamata tinha provocado protestos de várias organizações e associações profissionais, sindicatos e partidos políticos, autoridades portuárias e da Câmara Municipal. Não que todos de uma só vez tenham se sensibilizado e se oposto ao fascismo. Eles não querem a celebração do festival fascista em benefício do “bom funcionamento da cidade” e “devido aos efeitos negativos que, em alta temporada, teria sobre a vida econômica e social de Kalamata”. Em outras palavras, o tema para todos estes é puramente econômico. Eles se opuseram a celebração do festival fascista porque estimaram que a sua promoção seria uma queda em seus lucros. Não se esqueçamos de que a província de Messinia é um dos baluartes da direita e que nesta província nas últimas eleições gerais o partido Aurora Dourada teve uma das porcentagens mais elevadas.

    Em 20 de julho, cerca de 2.000 antifascistas de Messinia e províncias vizinhas realizaram uma manifestação antifascista no centro de Kalamata. A passeata foi particularmente combativa. Percorreu todo o centro da cidade e durou aproximadamente duas horas. A marcha incluiu anarquistas, antiautoritários, esquerdistas e em geral antifascistas de todas as idades.

    Durante a concentração e a passeata antifascista, cerca de 50 neonazistas foram fechados em sua sede partidária, enquanto ela estava cercada e vigiada por vários esquadrões de polícia. A massividade da manifestação não permitiu que os fascistas promovessem qualquer provocação contra ela. As baboseiras fascistas se limitaram a uma chamada telefônica de ameaça. Na quarta-feira, 17 de julho, uma pessoa que se apresentou como deputado do partido Aurora Dourada na província de Kalamata-Messinia ligou para o celular da Assembleia Antifascista de Atenas, que participou da manifestação, ameaçando os membros da Assembleia.

    Vídeo:

    agência de notícias anarquistas-ana

    a chuva cai forte
    e os ruídos que sobem
    corroem meus olvidos

    Thiago de Melo Barbosa
  • Anarquistas Palestinos em Conversação: Recalibrando o anarquismo em um país colonizado


    Por Joshua Stephens

    “Honestamente, ainda estou tentando desencanar dos hábitos nacionalistas”, brinca o ativista Ahmad Nimer, enquanto conversamos do lado de fora do café Ramallah. O assunto da nossa conversa parece improvável: viver em uma Palestina anarquista. “Em um país colonizado, é um tanto difícil convencer as pessoas de uma solução não autoritária e não estatal. Você encontra, no geral, uma mentalidade – frequentemente próxima do nacionalismo – estritamente anticolonial”, lamenta Nimer. De fato, anarquistas na Palestina atualmente tem um problema de visibilidade. Apesar do destaque da atividade anarquista internacional e israelense, não parece haver uma percepção correspondente do anarquismo entre os próprios Palestinos.

    “A discussão contemporânea sobre temáticas anarquistas desloca sua ênfase na direção de algo como uma aproximação do poder: rejeitar o poder de cima, a favor do empoderamente. Quando você fala sobre anarquismo enquanto um conceito político, é definido como rejeição ao Estado”, explica Saed Abu-Hijleh, um professor de geografia humana na Universidade An-Najah, em Nablus. “Fala sobre liberdade e auto-organização da sociedade sem a interferência do Estado”. Mas como pessoas sem Estado se engajam com o anarquismo, um termo que implica oposição à forma do Estado enquanto condição de sua existência?

    Na Palestina, elementos da luta popular amiúde se auto-organizaram historicamente. Mesmo não havendo identificação explícita enquanto “anarquismo”. “As pessoas já realizavam organizações horizontais, ou não hierárquicas por todas as suas vidas”, disse Beesan Ramadan, outra anarquista local, que descreve o anarquismo enquanto “tática”, apesar de questionar a necessidade de um rótulo. Ela continua, “Já está na minha cultura e no próprio modo através do qual o ativismo Palestino funciona e funcionou. Durante a Primeira Intifada, por exemplo, quando a casa de alguém era demolida, as pessoas se organizavam para reconstruí-la, quase espontaneamente. Enquanto uma Palestina anarquista, procuro retornar às raízes da Primeira Intifada. Não veio de uma decisão política. Veio contra a vontade da OLP (Organização para a Libertação da Palestina”. Yasser Arafat declarou independência em Novembro de 1988, após a Primeira Intifada ter começado em Dezembro de 1987″, diz Ramadan, continuando “…para sabotar os esforços da Primeira Intifada”.

    O caso Palestino aprofundou suas complicações nas décadas recentes. O panorama de uma auto-organização preponderantemente horizontal na Primeira Intifada, foi substituída em 1993 com a assinatura dos Acordos de Oslo e a criação de cima para baixo da Autoridade Palestina (AP) que criaram. “Agora, aqui na Palestina”, observa Ramadan, “nós não temos o significado de autoridade que outras pessoas desafiam… Nós temos a AP e a ocupação, e nossas prioridades são sempre confusas. A AP e os Israelenses [estão no] mesmo patamar porque a AP é uma ferramenta para Israelenses oprimirem Palestinos”. Nimer também compartilha sua perspectiva, argumentando que agora, a AP se expandiu muito mais amplamente, e que muitos agora a observam como uma “proxy-occupation”.

     “Ser um anarquista não significa carregar uma bandeira rubro-negra ou participar do Black Bloc”, ressalta Ramadan, se referindo às táticas anarquistas de protestos estabelecidas, de vestir roupas negras e cobrir a o rosto. “Eu não quero imitar nenhum grupo ocidental no modo que “fazem” o anarquismo… não vai funcionar aqui, porque você precisa criar uma nova consciência nas pessoas, e elas não entendem este conceito”. Entretanto, Ramadan acredita que a baixa visibilidade dos anarquistas Palestinos, e a falta de consciência sobre o anarquismo entre Palestinos de maneira mais ampla, não necessariamente significa que existem poucos. “Eu acho que existe um bom número de anarquistas na Palestina”, ela percebe, apesar de admitir mais tarde, “… mas, por agora, é uma opinião individual, apesar de estarmos todos ativos em nossos próprios meios”.

    Esta falta de um movimento anarquista unificado na Palestina pode ser resultante do fato de os anarquistas Ocidentais nunca terem realmente focado no colonialismo. “[Escritores ocidentais] não tiveram essa necessidade”, argumenta Budour Hassan, um ativista e estudante de direito. “A luta deles era diferente”. Nimer também acrescenta: “Para um anarquista nos Estados Unidos, a descolonização pode fazer parte de uma luta antiautoritária; para mim, é simplesmente o que precisa acontecer”.

    Significativamente, Hassan amplia sua própria compreensão do anarquismo além das posições que se colocam meramente contra o Estado ou o autoritarismo colonial. Ela se refere ao romancista Palestino e nacionalista Árabe Ghassan Kanafani, percebendo que apesar de ter desafiado a ocupação, “…ele também desafiou as relações patriarcais e a burguesia… é por isso que eu penso que Árabes – anarquistas Palestinos, do Egito, da Síria, de Bahrain – precisam começar a reformular o anarquismo de um modo que possa refletir nossas experiências de colonialismo, nossas experiências enquanto mulheres em uma sociedade patriarcal, e assim por diante”.

    “Apenas fazer parte de uma oposição política não irá salvar você”, adverte Ramadan, acrescentando que para muitas mulheres, “Quando você se levanta contra a ocupação, também precisa se levantar contra a família”. De fato, a superênfase de retratos de mulheres nos protestos, ela continua, mascara o fato de que na realidade, muitas mulheres precisam lutar só para estarem lá. Mesmo comparecer em reuniões vespertinas requer das mulheres jovens uma superação das limitações sociais não enfrentadas, em contrapartida, pelos homens.

    “Enquanto Palestinos, temos que estabelecer uma conexão com os anarquistas Árabes”, diz Ramadan, influenciada pela sua leitura do material proveniente de anarquistas no Egito e na Síria. “Nós também temos muito em comum e, em função do isolamento, acabamos encontrando anarquistas internacionais que às vezes, por mais que sua política seja boa, permanece presa em suas ideias errôneas e Islamofobia”.

    Em um pequeno trecho publicado na Jadaliyya (revista online) intitulado “Esclarecimentos Anarquistas, Liberais, e Autoritários: Notas da Primavera Árabe”, Mohammed Bamyeh argumenta que as recentes insurreições Árabes refletem “…uma rara combinação de métodos anarquistas e intenções liberais”, notando que “…o estilo revolucionário é anarquista, no sentido de que necessita pouca organização, liderança, ou mesmo coordenação, [e] tende a desconfiar de partidos e hierarquias mesmo após o sucesso da revolução”.

    Para Ramadan, o nacionalismo também representa um problema significante. “As pessoas precisam do nacionalismo em tempos de luta”, ela admite, “[Mas] às vezes se torna um obstáculo… Você sabe o que sentido negativo do nacionalismo significa? Significa que você só pensa enquanto Palestino, que os Palestinos são os únicos que sofrem no mundo”. Nimer também acrescenta, “Estamos falando sobre sessenta anos de ocupação e limpeza étnica, e sessenta anos de resistência através do nacionalismo. Isso é muito longo, não é saudável. As pessoas podem ir do nacionalismo ao fascismo muito rapidamente”.

    As multidões de Dezembro no Cairo, na praça Tahrir, podem ainda oferecer esperança para os Palestinos anarquistas. Enquanto o presidente Mohamed Morsi consolida poderes executivos, legislativos e judiciais em seu escritório, grupos anarquistas se juntam às manifestações. Estes Egípcios atualmente chamam a si próprios de anarquistas e abraçam o anarquismo enquanto tradição política. De volta à Ramallah, Nimer reflete: “Frequentemente, sou pessimista, mas você não pode descontar nos Palestinos. Podemos irromper a qualquer momento. A Primeira Intifada começou com um acidente de carro”.

    Este artigo apareceu originalmente na edição de Fevereiro da revista Libanesa “O Posto Avançado”.

    Tradução > Malobeo

    agência de notícias anarquistas-ana

    no canto da janela
    nova linha do horizonte:
    o fio da aranha.

    Tânia Diniz
  • [Chile] Documentário “Montagem: Caso Bombas”


    Através de vários testemunhos, o documentário “Montagem: Caso Bombas” constrói um sólido relato que conta de forma crítica e didática as várias situações e eventos relacionados com o conhecido “Caso Bombas”, montagem política-policial contra vários grupos e indivíduos que professavam a ideologia anarquista na região chilena.

    Basicamente, chamado pela grande imprensa chilena como “Caso Bombas”, é um fato “político-midiático”, que tem a sua localização na cidade de Santiago, região do Chile, que consistia em uma complexa trama de eventos que procuraram criminalizar o movimento anarquista desta região do planeta, assim como continuar a doutrina do “inimigo interno”, ideia que o Estado chileno vem desenvolvendo historicamente. Na construção dessa situação estiveram profundamente envolvidos os meios de comunicação hegemônicos, que foram transformados em uma parte estratégica a serviço dos interesses do Estado. Essa atitude da mídia é muito semelhante à que ocorre diariamente contra a causa Mapuche, onde Estado e imprensa burguesa associam-se para proteger os interesses de grandes empresas capitalistas de silvicultura, mineração e energia no território ancestral Mapuche. O polêmico “Caso Bombas” se desenvolveu entre os anos de 2009-2012, a partir da morte de Mauricio Morales – passando pela detenção e prisão de vários companheiros – até a absolvição final e a liberdade concedida a eles.

    O documentário começa narrando o caso particular relacionado com a morte do anarquista Mauricio Morales, fato que marca o início de toda a orquestração midiática-repressiva do Estado chileno contra o movimento anarquista em geral. Através da voz de diferentes entrevistados – incluindo historiadores, advogados, réus no caso e habitantes de casas invadidas – reconstrói a história do que aconteceu.

    Deve-se ressaltar que o documentário não trata da análise específica do “Caso Bombas”, mas tenta gerar uma visão mais abrangente do movimento anarquista e sua história dentro da teoria e da prática revolucionária. É por isso que o documentário “Montagem: Caso Bombas”, elaborado pelo Canal Barrial 3 do Bairro Yungay, se constitui como uma peça fundamental para a compreensão de como a repressão do movimento anarquista, assim como os procedimentos gerais dos Estados para intimidar e destruir qualquer iniciativa que ameace os valores e projetos do capital.

    É encorajada a reprodução deste material, por qualquer meio. A propriedade é um roubo; divulgue como e onde quiser.

    Para ver o documentário “Montagem: Caso Bombas”, clique aqui:

    agência de notícias anarquistas-ana

    Joaninha caminha
    no braço da menina.
    Olhar encantado.

    Renata Paccola
  • [Grécia] Atualização sobre os dois anarquistas presos em Tessalônica


    Os dois companheiros que se apresentaram para o interrogatório anteontem, 17 de julho, em Loukareos, Atenas, estão lidando com as seguintes acusações:

    • Participação em organização terrorista com o caso adicional de preparar, prover, e possuir material explosivo para o serviço de uma organização terrorista [isso é sobre a Conspiração das Células de Fogo (CCF)].

    • Ato terrorista de tentativa de homicídio sem oposição de consciência.

    • Ato terrorista de explosão intencional e com o uso de material explosivo do qual poderia resultar (e resultou) em perigo à propriedade privada, para seres humanos e para instalações de utilidade comum e contra os quais foram causados danos corpóreos repetidamente.

    • Ato terrorista de preparação, suprimento e posse de material explosivo e bombas com a intenção de causar dano à propriedade privada e contra seres humanos, de forma contínua.

    • Ato terrorista incendiário do qual poderia resultar perigo comum à propriedade privada e à seres humanos, para ambos e repetidamente.

    • Ato terrorista de dano criminal contra a propriedade privada, que foi conduzido de acordo com um dos itens do artigo 270 do código penal, para ambos e repetidamente.

    Além disso, junto com os 10 presos da CCF, também são considerados instigadores das 4 ações do Projeto “Fênix” (três ataques na Grécia e um na Indonésia).

    No dia 17 de julho, às 10 horas da manhã, os dois presos se apresentaram ao interrogador, que decidiu mantê-los retidos.

    Os companheiros foram transferidos para a prisão de Koridallos.

    Do lado de fora do Tribunal, havia uma manifestação de solidariedade.

    Solidariedade para todos os companheiros reféns!

    Força, companheiros!

    Fúria e consciência!

    Tradução > Malobeo

    Notícia relacionada:

    agência de notícias anarquistas-ana

    Preenchendo o vazio
    das tardes intermináveis,
    a cigarra canta.

    Alberto Murata
  • [Reino Unido] Fogo e barricadas durante a expulsão de squatters no bairro de Brixton, em Londres


    Na última segunda-feira, 15 de julho, policiais e oficiais de justiça chegaram juntos durante a manhã para expulsar à força os ocupantes de seis squatters na Rushcroft Road em Brixton, na zona sul de Londres. No total, 75 ocupantes foram expulsos.

    Alguns desses ocupantes estavam ali há 32 anos!

    Várias pessoas se juntaram para tentar resistir fisicamente à polícia e aos oficiais de justiça armados (como são, de praxe, no Reino Unido…) aos gritos de “Não às Expulsões”. Face ao forte contingente repressivo, a expulsão não tardou a acontecer. Mas os enfrentamentos seguiram pelas ruas, nas barricadas levantadas e nas latas de lixo que foram incendiadas.

    Segundo a imprensa local, duas pessoas foram presas por “agressão e vandalismo”.

    Há longos anos, a gentrificação [aburguesamento urbano] devasta pouco a pouco os bairros populares de Brixton.

    Recordam-se notavelmente as lutas ali empreendidas há mais de dez anos para defender o squatter de atividades anarquistas da rua Railton 121, no mesmo bairro de Brixton.

    A agência imobiliária Foxtons, que adquiriu aqueles locais nesse ano, foi coberta de pichações e de latas de tinta logo no começo do mês de julho, durante uma manifestação.

    Tradução > Tio TAZ

    agência de notícias anarquistas-ana

    café-da-manhã,
    bem-te-vis gritando:
    que bom acordar!

    Valdir Peyceré
  • “O fascismo mantêm uma presença muito alta na Alemanha”


    Falamos com dois companheiros da CNT de Compostela [Espanha] a pretexto de sua viagem a terras germânicas para participar em uma série de conferências junto à FAU [União Livre de Trabalhadores] e outros grupos anticapitalistas, sobre a crise e as repostas sociais.

    Por N. Rodríguez e A. Rodríguez

    Pergunta > Qual o volume do movimento anarquista vocês perceberam?

    Resposta < É igual aqui, o movimento anarquista é minoritário e principalmente no tocante ao aspecto anarcosindical. O que sim temos encontrado é um movimento autônomo bastante organizado, ademais de muito boas relações entre os diferentes movimentos anarquistas e de esquerda anticapitalista, graças ao qual se tem conseguido ter uma presença coletiva importante em muitas cidades e levar adiante iniciativas autogestionárias que cobrem necessidades que vão mais além do trabalhista na vida das pessoas. Como exemplo, em quase todas as cidades se conta com um centro social ocupado, normalmente com muitos anos em suas costas, que compartilham diferentes coletivos, entre eles a FAU, e que se utilizam como comedores sociais, jardins de infância, sede de rádios livres, locais para atos culturais…

    Pergunta > E o que consistiu as conferências e as palestras?

    Resposta < A ideia inicial era participar junto com outros membros de coletivos galegos em uma série de três palestras – em Kiel, Bremen e Hamburgo -, coorganizadas pelos sindicatos locais da FAU e outros grupos anticapitalistas, nas quais se abordariam diferentes visões sobre a incidência da crise na Galícia e no Estado espanhol, cabendo a nós a visão sindical da CNT. Para nossa satisfação, o projeto se ampliou graças a gestão dos companheiros e companheiras e pudemos estender as palestras a outras três cidades – Hannover, Frankfurt e Freiburg-, e só com a FAU. A temática das palestras girou em torno da degradação das condições de trabalho e sociais no Estado espanhol e as respostas dadas desde o ano passado, especialmente sobre a convocatória das duas greves gerais, a repercussão dos movimentos sociais e o aumento da repressão por parte das instituições do Estado. A dinâmica foi flexível em cada lugar e muito participativa, permitindo-nos aprender com as experiências de uns e outros.

    Pergunta > Com que dificuldades se depara a FAU principalmente?

    Resposta < Igual ao que ocorre aqui, se encontram no meio de uma sociedade bastante desideologizada e desmobilizada que, em linhas gerais, tem assumido totalmente o modelo sindical, político, econômico e social instaurado com o Estado de bem estar, talvez lá, inclusive seja mais grave, porque apesar das consequências das crises não têm pesado tanto para que a classe trabalhadora comece a sair do sonho de se acreditar classe média. Nesse contexto, é muito difícil conseguir solidariedade no trabalho, mais ainda pensar em formar seções sindicais. Mas também, qualquer iniciativa sindical baseada na ação direta choca frontalmente com uma legislação estatal que impede quase tudo, inclusive a greve. A capacidade atual da maioria dos sindicatos da FAU só alcança para algum esporádico conflito trabalhista individual em que se consiga pouco ou nada. Além disso, apesar de terem grandes grupos relacionados em cada cidade, não contam com muita militância que lhes permita estender sua atividade mais além dos aspectos trabalhista.

    Pergunta > Quais são os pontos fortes das atividades da FAU?

    Resposta < Em que pese as limitações da atuação sindical, parece que tem encontrado na ação social e cultural um bom meio de levar à realidade outras lutas anarquistas. Já temos comentado antes algo sobre como levam a bom resultado, iniciativas sociais que ofereçam uma alternativa prática e real ao sistema, e realizam também um importante trabalho de difusão da ideologia anarquista mediante palestras, cursos, projeções, publicações… Outro ponto forte parece estar na luta antifascista. O fascismo, em que pese o que escondem os meios de comunicação, mantêm na Alemanha uma presença muito alta e organizada, levando a cabo muitas ações violentas contra antifascistas com o consentimento velado das autoridades. As manifestações e contra-manifestações entre fascistas e antifascistas são uma prática habitual em que a FAU têm quase sempre presença e que mobilizam em massa os setores mais contestatórios.

    Pergunta > Que trazeis de positivo de lá?

    Resposta < Muitas coisas. O levar um pouco a prática a solidariedade que já compartilhamos na teoria, criar vínculos, compartilhar experiências, viver outras… Muitas amigas e amigos. Mas sobretudo, ideias, uma visão mais ampla de como o sistema ataca as pessoas em todas as partes e de como podemos nos organizar para enfrentá-los. E esperanças para o futuro. Não podemos mais que valorizá-lo como uma experiência muito enriquecedora.

    Pergunta > Algo negativo?

    Resposta < Nada.

    Pergunta > A visita originou algum projeto?

    Resposta < Por enquanto só ficamos de manter contato e tentar tornar possível alguma visita em qualquer dos dois sentidos. Possibilitar algumas dessas visitas, sim tentaremos buscar uma forma de aproveitá-la ao máximo para compartilhar experiências e estreitar laços de solidariedade entre a CNT e a FAU.

    Fonte: Periódico CNT – junho 2013

    Tradução > Sol de Abril

    agência de notícias anarquistas-ana

    Cigarras cantam
    Nos grandes arvoredos;
    Depois perecem.

    Ze de Bonifácio
  • [Argentina] Chamada para o V° Encontro Social desde abaixo e por fora do Estado


    Estimados companheirxs:

    Para participar do V° Encontro Social desde abaixo e por fora do Estado a realizar-se na cidade de Entre Ríos no mês de setembro (14 e 15) necessitamos que enviem um e-mail a encuentrodesdeabajo@gmail.com detalhando:

     • Organização social a que pertencem e espaço em que se desenvolvem.

     • Lugar de onde viajam.

     • Quantidade de companheirxs que vão participar do encontro.

    Uma vez recebido o e-mail se enviará uma planilha de inscrição e toda a informação necessária para participar.

    Anexamos a este e-mail um convite e caracterização do Encontro Social.

    Convite:

    V° Encontro Social desde abaixo e por fora do Estado

    Temos o prazer de convidá-lx para o espaço que nos damos um conjunto de organizações sociais no país: O Encontro Social Desde Abaixo e por fora do Estado, que neste ano se realizará nos dias 14 e 15 de setembro de 2013.

    Desde algum tempo, militantes organizados em diferentes províncias e localidades, nos encontramos, a partir de Jujuy até a Tierra del Fuego, a partir de Buenos Aires a La Rioja, já que decidimos fazer nosso lugarzinho xs exploradxs do trabalho, xs excluidxs do bairro, xs deserdadxs do campo, xs originárixs da terra, xs marginalizadxs da educação… xs de abaixo, necessitamos juntarmos-nos uma vez mais, este ano mais que nunca, tendo em conta que os de acima tem hegemonizado os discursos sobre a democracia e desperdiçado todo tipo de recursos em seu golpe eleitoral.

    Assim como o fizemos em novembro de 2010 em José C. Paz (província de Buenos Aires), em abril de 2011 em Rosário, em dezembro de 2011 em Chaco, em 2012 em Córdoba, neste encontro nos juntaremos para debater em oficinas e em plenária a forma de multiplicar e fortalecer os espaços de resistência do qual fazemos parte. Sem irmos atrás de qualquer proposta eleitoral nem recorrermos ao Estado, nestes momentos de definição e luta devemos marcar uma postura que só beneficie xs de abaixo. Como já o fizemos na campanha “Os Políticos Não Servem“, temos que aprofundar e multiplicar relações e as ações que viemos levando adiante em cada localidade para conseguir essa mudança que tanto almejamos, desde abaixo e por fora do Estado, com esforço e militância.

    Como sempre dizemos, estamos em busca de um mundo mais justo onde haja possibilidades para todos e todas. Para isto nos organizamos SEM líderes NEM chefes, NEM DEPENDÊNCIA de nenhum partido político, nem governo algum. Para que nossos filhos cresçam livres em um mundo melhor e mais são.
    Nossa luta é para alcançar a dignidade humana sem que ninguém seja privilegiado sobre o resto. Nossa luta não quer pessoas que mandem e pessoas que obedeçam, senão pessoas que participem de igual a igual.
    Nossa luta é por liberdade!

    Bem vindos ao V° Encontro Social desde abaixo e por fora do Estado – setembro de 2013, Entre Ríos. Em breve enviaremos circular com a info necessária para chegar ao lugar e organizar a estadia, bem como a ficha de inscrição.

    Te esperamos!

    Arriba lxs que lutam!

    Comissão Organizadora do V° Encontro Social desde abaixo e por fora do Estado

    Tradução > Caróu
    agência de notícias anarquistas-ana

    Mensagem no ar
    Tributo à minha saudade —
    Sabiá-laranjeira
    Neiva Pavesi