Autor: cordellibertario

  • [Espanha] Documentário “O cinema libertário”

    Ao se dar o estopim da guerra civil espanhola em julho de 1936, o sindicato anarquista CNT socializou a indústria de cinema na Espanha. Em Madri e Barcelona os trabalhadores de cinema assumiram, através do sindicato, os meios de produção e se produziram numerosos filmes. Isto deu lugar a um período único que não voltou a acontecer em nenhuma outra cinematografia mundial.
    Apesar do país estar imerso em uma guerra sangrenta, entre 1936 e 1938 foram rodados e exibidos filmes das mais variadas temáticas: dramas sociais, comédias musicais, filmes de denúncia e documentários bélicos. Todos eles compõem um variado mosaico que dá lugar a um dos momentos mais insólitos e originais da cinematografia espanhola.
    Através da opinião de diversos pesquisadores, assim como do depoimento do diretor de fotografia e restaurador espanhol, Juan Mariné, o documentário revisa cada uma das produções que constituem um legado excepcional da cinematografia espanhola.
    Foi um período muito efêmero durante o qual os roteiristas, os diretores, os técnicos e os atores espanhóis trabalhando juntos e sem hierarquias demonstraram uma das máximas do mundo do espetáculo: apesar dos bombardeios, da fome e do drama da guerra, o espetáculo devia continuar, e continuou.
    Veja o filme aqui:
    Aqui galeria com 54 imagens:
    Tradução > Juvei
    agência de notícias anarquistas-ana
    tarde cinza
    toda azaléia
    arde em rosa
    Alice Ruiz
  • [Alemanha] 1º de Maio anticapitalista atrai milhares de pessoas em Berlim

    Aproximadamente 15.000 pessoas participaram da passeata anticapitalista do 1º de Maio em Berlim. Novamente a manifestação contou com um bloco negro dinâmico e concorrido.
    Durante o curso do protesto os manifestantes quebraram janelas de vidros de vários bancos e grandes lojas. Um posto policial também foi atacado com pedras e garrafas e diversos carros de patrulha dos agentes de segurança foram danificados.
    Um grupo de policiais também foi alvejado por um ataque de chuva de pedras. Logo após se generalizou um confronto entre a polícia e grupos de manifestantes. Os policiais lançavam bombas de gás lacrimogêneo e gás pimenta. O revide dos ativistas vinha com pedras, garrafas, fogos de artifício e barricadas. A polícia conseguiu realizar algumas detenções.
    Houve protestos em outras cidades alemãs, como em Wuppertal, onde 400 ativistas participaram de um ato de rua sem autorização da polícia. Em Nuremberg, 2.500 pessoas foram às ruas. Em Halle, no leste da Alemanha, milhares de manifestantes bloquearam o caminho da passeata dos neonazistas, que sofreram um ataque de pedras, alguns carros dos nazis foram danificados. Em Bremen, 4.000 pessoas tentaram fazer o mesmo. Poucos dias antes do protesto alguns carros de neonazistas foram queimados. Em Hamburgo, 2.500 manifestantes voltaram às ruas da cidade para protestar. Foram registrados confrontos entre um grupo de encapuzados e a polícia..       
    Na semana que antecedeu o 1º de Maio, uma série de ações de grupos anarquistas foi levada a cabo, especialmente em Berlim e Hamburgo. Em Berlim, dois edifícios da Agência de Emprego, um banco e o prédio da Associação de Industriais Alemães foram atacados com pedras e bombas de tinta e um carro de uma empresa responsável pelo transporte de resíduos nucleares foi incendiado.
    Em Hamburgo, houve ataques incendiários contra duas viaturas da polícia e três carros da empresa do ramo da energia nuclear Vattenfall e vários carros de luxo.
    Fotos 1º de Maio anticapitalista de Berlim:
    agência de notícias anarquistas-ana
    A fruta aberta
    revela o mistério
    da raiz: néctar.
    Roberto Evangelista
  • Greve geral na Grécia: “Povo, não baixes a cabeça e não te deixes vencer”; violência policial em Atenas

    Em dia de greve geral, milhares de gregos saíram às ruas nesta quarta-feira, 11 de maio, para protestar contra as medidas de austeridades e privatizações decididas pelo governo do Partido Socialista, FMI e União Européia. A manifestação em Atenas terminou com uma violenta repressão das forças de segurança contra manifestantes. Um ativista foi hospitalizado com ferimentos graves.

    Nos arredores do Parlamento, a polícia utilizou gás lacrimogêneo, bombas de ruído e cassetetes para dispersar os milhares de manifestantes, que revidaram com pedras e outros objetos. Dezenas de pessoas ficaram feridas, pelo menos 30 manifestantes foram detidos pela polícia.

    Um dos manifestantes teve de ser hospitalizado depois de ter sido agredido na cabeça com cassetete. Ele perdeu muito sangue e foi submetido a uma cirurgia de emergência e se encontra em coma profundo numa UTI (Unidade de Terapia Intensiva). As próximas 24 horas serão cruciais para a sua sobrevivência, segundo boletins médicos.

    O governo socialista grego mandou um forte contingente para a rua para controlar os protestos, que juntou trabalhadores, pensionistas, desempregados, imigrantes, estudantes, comunistas e anarquistas.

    Também houve manifestações em Tessalônica, Patras, Ioannina, Agrinio, Serres, Lamia, Xanthi, Esparta, Arta, Volos, Katerini, Larisa, Creta e Serres, entre outras cidades gregas.

    Esta greve é a segunda do ano e a nona desde o início da crise econômica grega. A greve paralisou o transporte marítimo e ferroviário, obrigou o cancelamento de centenas de vôos e mantém o atendimento médico em hospitais e outros serviços no mínimo.

    Bancos, escolas e repartições públicas também pararam e até mesmo os jornalistas cruzaram os braços em protesto contra a onda de demissões, redução de salários e fechamento de veículos de imprensa.

    Fotos:
    agência de notícias anarquistas-ana
    sob o sol se pondo
    como alfinete no lago
    descansa a garça
    Marcelo Santos Silvério

  • [Colômbia] Carta para Nicolás Neira, no sexto aniversário do seu assassinato

    A repressão que causou sua morte, voltou às ruas do centro de Bogotá neste 1˚ Maio de 2011, e quem desejou lembrá-lo nas palavras e nos gestos saboreamos o aroma de gás lacrimogêneo, a dureza dos espancamentos e detenções arbitrárias (como foi o caso do seu pai).

    Seis anos já, o tempo passa, as feridas não cicatrizam, e me pergunto: por que têm que cicatrizar? Se em uma situação como esta, a única coisa que nos oferece é a morte e a repressão para aqueles que querem defender a idéia de uma sociedade mais justa – talvez devêssemos por um curativo, esquecer e não deixar que brote a necessidade de lutar. Aqueles que te mataram querem que voltemos para casa, que trabalhemos sem parar, que procuremos ter uma vida ostentosa, que nos esqueçamos o sonho da revolução social e que só apareça como um fantasma para falar sobre o nosso passado, o que fomos e já não somos. Mas não daremos essa satisfação, vamos continuar em pé de guerra e nunca dar a outra face.

    Seis anos se passaram e a memória não esquece; lambendo suas feridas, lembramos de sua morte, a morte de tantos outros; lembrando do desamparo, o medo, mas também recordando a paixão pela justiça, a necessidade de mudar a sociedade.

    Não te santifico como um mártir, lembro como quem caiu pela irracionalidade deste modelo, a irracionalidade dos policiais que o espancaram, compreendo não como um fenômeno isolado, mas como a epiderme do estado atual das coisas. A você mataram a bofetadas e patadas, alguns às balas, a outros matam trabalhando alienados em escritórios, muitos são afundados na miséria, outros foram mortos em vida.

    Ontem, como hoje, como amanhã e como sempre, eu vou te levar para as profundezas da minha alma libertária, lembrando e relembrando o que fizeram com você… um crime de Estado.

    Com amor para você, para os seus e para aqueles que lutam.

    Atarka Rebel.

    Sexta-feira, 6 de maio de 2011, a seis anos de seu assassinato covarde.

    PS: Esta pequena carta terminou de ser escrita quando acontecia uma concentração na Rua 7 com 18  pelo sexto aniversário da morte de Nicolás.

    Nota da “ANA“:

    Nicolás David Neira, de 15 anos, foi brutalmente assassinado pela Polícia Nacional Colombiana, o Escuadrón Móvel Anti-disturbios (Esmad) no 1º de maio de 2005. Nicolás participava do bloco anarquista durante uma marcha em comemoração ao Dia do Trabalho em Bogotá, quando a manifestação foi alvo de uma violenta repressão policial, com bombas de gás lacrimogêneo, tiros de balas de borracha e golpes de cassetetes. Nicolás, asmático, sem poder correr, recebeu uma avalanche de golpes na cabeça e caiu inconsciente. Os cassetetes provocaram em Nicolás traumatismo craniano, fraturas múltiplas e edema cerebral.
    agência de notícias anarquistas-ana
    calor na nuca
    sol lá fora me faz
    sombra dentro
    Alexander Pasqual

  • [Itália] USI faz greve geral contra a guerra na Líbia

    Em 15 de abril, houve uma greve geral de um dia convocada pela União Sindical Italiana (USI-AIT) contra a guerra na Líbia. A iniciativa desta organização anarco-sindicalista foi apoiada pelos sindicatos independentes Cobas e SISA e também pelo Comitê de Imigrantes na Itália.
    A greve foi direcionada contra a participação da Itália na intervenção militar na Líbia e contra a política social e econômica do governo italiano. Os/as organizadores/as declararam o 15 de abril um “Dia de Fúria”.
    A greve mais ampla teve lugar na área de transporte. Começou às 21 horas do dia anterior e durou o dia inteiro. Alguns trens foram cancelados e o transporte municipal foi afetado em diferentes cidades. A greve também envolveu serviços médicos, educação e vários outros setores.
    Ocorreram manifestações em Milão, Turim, Palermo, Bolonha, Gênova, Roma e outras cidades – no total, mais de 20.
    Tempos de Guerra
    A operação Odissey Dawn (Odisséia da Alvorada) marcou o começo da intervenção militar na Líbia, outra missão de guerra com que as grandes potências do ocidente querem proteger interesses econômicos e equilíbrios geopolíticos que são ameaçados por instabilidade, tensões locais e ambições de caudilhos e ditadores.
    Trata-se do mais recente entre os episódios que tornam ainda mais patente o estado de guerra permanente no qual vivemos. Ao passar dos anos, mudam os cenários: dos Bálcãs (Bósnia, Kosovo) até o Magreb, passando pelo Oriente Médio (Iraque) e pela Ásia (Afeganistão); muda o nome das operações militares: de operações de polícia internacional a força tarefa contra o terrorismo a dispersão de forças de interposição e dissuasão, até chegar a definições mais tranqüilizadoras como missão de paz ou missão humanitária; mas, concretamente, não mudam nem os meios para levá-las a cabo nem a substância: bombardeios e mísseis, em uma palavra, se trata de guerra.
    Desde o começo ficou claro que a revolta na Líbia, ainda que impulsionada pelas insurreições que continuam estremecendo os países norteafricanos e do Oriente Médio (Tunísia, Argélia, Marrocos, Egito, Iêmen, Bahrein), apresentava traços de luta entre facções rivais pelo poder, fixadas no território por base em pertences tribais (Tripolitânia, Cirenaica e Fezã). Também era evidente que o papel exercido pela Líbia em vários níveis no cenário mediterrâneo (produção de petróleo e gás, economia-social relevante do ocidente, vigilância da área, controlador do fluxo migratório) faria com que a crise do regime de Gadafi se tornasse crise de nível internacional. Os bombardeios em Trípoli não são nada menos que a prova disso.
    Começou uma guerra de verdade, suja e vil como toda guerra, cujos objetivos não coincidem com nenhum dos que foram declarados: nem a queda de Gadafi, nem a implementação da “democracia”, nem a proteção da população. O objetivo real é bem claro: voltar a colonizar a Líbia, um país de suma importância por seus recursos energéticos e sua posição estratégica, através de sua balcanização. Em segundo lugar, não de menor importância, a intervenção militar aponta para a manutenção de um estado de guerra permanente e global que oculta as verdadeiras emergências (fome e miséria, desastres ambientais e nucleares, migrações massivas, supremacia das ganâncias sobre as necessidades) e que permita sufocar permanentemente lutas e revoltas.
    Uma guerra da qual a Itália participa hipocritamente, nem sequer assumindo suas próprias responsabilidades; direita e esquerda se unem nas mesmas declarações pseudopatrióticas, amparando-se por trás das indecentes palavras de Napolitano, para confundir e enturvar as consciências. Uma guerra na qual nosso “belo país” recolherá as migalhas, como um abutre.
    Nós somos contra esta guerra, como somos contra todas as guerras capitalistas e imperialistas. A única frente que reconhecemos é a da luta social contra os patrões e seus servos. Uma frente que une todos/as os/as explorados/as, independentemente de sua nacionalidade, etnia, língua e cultura, que os enfrenta sem possibilidade de conciliação à barbárie capitalista. Uma frente que para se opor ao alcance dos acontecimentos atuais não pode se limitar a defender as últimas migalhas da paz e do suportável nos resta, mas tem que oferecer alternativas concretas à miséria e à barbárie do mundo no qual vivemos e nas quais nos querem afundar cada vez mais.
    Os desfiles pela paz não são suficientes, devemos começar a construir uma sociedade diferente.
    Contra as guerras do capital, guerra social por um mundo diferente, livre de estados, exércitos e patrões!
    Secretariado Nacional USI-AIT
    Mais infos:
    agência de notícias anarquistas-ana
    Sobre os picos distantes
    Em completa solidão
    A lua minguante
    Antonio Malta Mitori
  • [Rússia] Carro de luxo de um agente da FSB é destruído no oeste de Moscou

    Comunicado:
    Na noite de 1º de Maio, os Partisans Urbanos incendiaram um carro luxuoso Audi Premium que tinha a permissão de passe da FSB (Serviço Federal de Segurança). A ação aconteceu perto da estação de metrô Bulevar Eslavo.
    Não é estranho que os representantes das forças governamentais, ou, melhor dizendo, os carrascos da gendarmeria [polícia federal], andem com carros chiquérrimos que custam mais que o salário de 3 anos inteiros de um cidadão comum da Rússia? Este fato nos diz o quê? Será que nos diz que estes corruptos e parasitas cospem na nossa cara exibindo o luxo? Então responderemos às humilhações resistindo!
    Nós não vamos nos submeter. E vocês?
    Partisans Urbanos
    Vídeo da ação direta incendiária:
    agência de notícias anarquistas-ana
    Tijolo maçiço,
    obra da mão calejada:
    cerâmica viva.
    Antonio Cabral Filho
  • [EUA] O terceiro “terrorista” mais procurado pelo FBI é um ativista do movimento de Libertação Animal e da Terra

    Com a suposta morte do fundador e líder da rede Al-Qaeda, Osama Bin Laden, o FBI, a polícia federal estadunidense, reorganizou em 2 de maio passado a lista dos mais buscados pelos Estados Unidos por atividades terroristas; Andreas San Diego, fugitivo do movimento de libertação animal é agora o número três.
    San Diego foi acusado em 2004 pelos ataques sofridos a duas metas relacionadas com a campanha contra a HLS (Huntingdon Life Sciences), Chiron (Emeryville, Califórnia) e Shaklee (Pleasonton, Califórnia). Foi visto em 2003, depois que ele escapou da vigilância do FBI no centro de São Francisco.
    Andreas San Diego é o principal suspeito referente ao bombardeio a Shaklee, pois foi detido por uma infração menor de trânsito, a menos de uma milha antes da detonação de explosivos (pelo que a polícia suspeita). Ele está em fuga por quase oito anos.
    A adesão de San Diego na lista dos mais procurados é uma estratégia ousada do governo federal, vendendo ao público a falsa informação de que os ativistas pela libertação animal e a ALF são terroristas. Esse movimento em que, em mais de 30 anos de atividade, nenhum humano foi afetado. Os ataques de San Andreas foram realizados em edifícios de escritórios vazios e ninguém ficou ferido.
    O FBI diz o seguinte sobre o fugitivo:
    Daniel Andreas San Diego é procurado por seu suposto envolvimento no bombardeio de dois edifícios de escritórios na área de São Francisco, Califórnia. Em 28 de agosto de 2003, duas bombas explodiram, cerca de uma hora de diferença na Chiron Corporação, em Emeryville. Então, em 26 de setembro de 2003, uma bomba, amarrada com pregos, explodiu na Corporação Shaklee, em Pleasanton. San Diego foi acusado no Tribunal Federal Distrital, Distrito Norte da Califórnia, em julho de 2004“.
    Depois disse, é claro, “deve ser considerado armado e perigoso” (a ficha de Peter Young, que estava foragido há 7 anos do FBI, continha a mesma anotação, embora ele nunca tenha tido uma arma de fogo).
    É impossível saber onde se esconde Andreas San Diego, mas por favor, pergunte a si mesmo o que você faria se uma noite, em sua porta, ele pedisse ajuda. San Diego está enfrentando uma sentença de prisão perpétua se preso, e agora, literalmente, fugiu por sua vida.
    agência de notícias anarquistas-ana
    Instante pequeno
    Cair da tarde
    A lua vindo
    Kátia Ribeiro de Oliveira

  • [Grécia] Exarchia, Crise e Greve Geral

    As ruas de Exarchia estão quase vazias. A maioria dos atenienses deixaram a cidade durante a Páscoa, um dos maiores feriados do ano por aqui, então as suas ruas normalmente movimentadas estão vazias. As lojas e os cafés têm as portas de segurança trancadas, revelando a arte de pinturas coloridas de spray anti-autoritárias. As imagens de manifestantes utilizando máscaras de gás, as palavras de ordem contra o capitalismo e contra o governo e tributos aos militantes presos cobrem as paredes de quase todos os edifícios, revelando um pouco da contra-cultura que geralmente acontece aqui.  
    Exarchia é conhecida em Atenas como o centro de lutas sociais. Este bairro densamente povoado tem a reputação de ser anti-sistema e de ser o abrigo de estudantes, anarquistas, artistas e esquerdistas de todos os tipos. Um mês de protestos por todo o país foi atiçado em Dezembro de 2008 quando um estudante do secundário e anarquista de 15 anos foi atingido a tiro e morto pela polícia perto da Praça de Exarchia. A maioria dos atenienses odeia a polícia, e quando este jovem foi morto todo o país explodiu. A mãe de Alexis construiu um memorial na esquina onde ele foi morto com a sua foto e as seguintes palavras:
    Aqui, no dia 6 de Dezembro de 2008, sem qualquer razão, o sorriso de criança foi extinto do inocente Alexis Grigoropoulous de quinze anos de idade pelas balas dos assassinos sem perdão“.
    Sinais dos protestos de Dezembro de 2008 podem ser ainda encontrados por aqui. Um edifício governamental que alojava o Ministério das Finanças continua vazio; resquícios de uma estrutura completamente queimada. Janelas que ainda se encontram partidas noutros edifícios, palavras de ordem que não foram bem lavadas e pintadas de stencil de Alexis podem ser ainda encontradas em pilares de mármore por toda a cidade.
    Este bairro é a morada da Universidade Politécnica, onde muitos confrontos entre estudantes e polícia tiveram lugar. Na Grécia a polícia não pode entrar nas universidades. A 17 de Novembro de 1973, dezenas de estudantes que se revoltaram contra o governo militar foram atingidos por balas por militares no auge de um movimento massivo de protesto. Apenas alguns meses depois, o governo caiu e foi substituído por uma Democracia moderna. Os gregos não esqueceram este acontecimento e estão preparados contra o ataque às suas liberdades. Eles são especialmente sensíveis no que diz respeito às incursões policiais nas universidades e são várias vezes postos fora por estudantes e anarquistas que recusam que a história se repita.
    O 1º de Maio está ao virar da esquina e apenas dez dias depois há uma greve geral. O campus Politécnico em Exarchia será sem dúvida o coração de muitos confrontos que terão lugar neste mês que vem. A economia grega está de rastos, os trabalhadores estão sobre um constante ataque e as pessoas que aqui vivem estão furiosas. Toda a gente por aqui fala da greve geral como algo com potencial para dar início a uma revolução. Muitos comparam a corrente crise ao colapso da economia Argentina em 2001, que levou a protestos massivos por todos os setores da população. Dez anos passaram desde então e o governo grego está numa situação muito parecida. Estão encurralados pelo alto valor do Euro e estão a ser forçados a atacar financeiramente a sua própria população pelo FMI e pela União Europeia. A Grécia é um barril de pólvora. Será a greve geral de 11 de Maio o rastilho.
    Imagens de Exarchia, Atenas:
    Tradução > P.M.
    Nota da “ANA“:
    Os gregos e gregas farão uma nova Greve Geral nesta quarta-feira, 11 de maio, para protestar contra as medidas de austeridade e as privatizações receitadas pela União Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI).
    agência de notícias anarquistas-ana
    O bambu não cansa,
    o ano inteiro
    na mesma dança.
    Fabiano Vidal
  • [Bielorrússia] Chamado para ações conjuntas de solidariedade com os anarquistas bielorrussos de 12 a 15 de maio

    Já se passaram sete meses desde que o “caso dos incêndios” começou na Bielorrússia. Durante esse tempo, nossos amigos e companheiros ficaram atrás das grades. Tendo começado com detenções arbitrárias de ativistas em setembro do ano passado, o processo está finalmente chegando ao fim – está sendo levado a julgamento. No momento, sete indivíduos específicos na investigação do “caso dos anarquistas” permanecem sob detenção.
    Mikalai Dziadok, suas imputações são:
    • Organização de uma manifestação ilegal antimilitarista em setembro de 2009 contra um exercício de guerra entre a Rússia e a Bielorrússia, onde uma reunião de militares foi atacada com bomba de fumaça;
    • Ataque contra um cassino em Minsk em dezembro de 2009, como um protesto contra a crescente desigualdade social;
    • Um ataque contra a sede da Federação de Sindicatos em 1º de maio com a afirmação de que o Estado e esta organização utilizam os trabalhadores para os seus próprios interesses e não para defender os seus direitos e, muitas vezes, impedem que os trabalhadores cooperem entre si e organizem greves. Mikalai pode enfrentar 10 anos de prisão.
    Ihar Alinevich, suas imputações são:
    • Ataque à embaixada da Rússia em setembro de 2010, como uma ação de solidariedade com os detidos em Khimki;
    • Organizar manifestação ilegal antimilitarista;
    • Ataque contra um cassino em Minsk; ataque a uma sucursal do Belarusbank em 1º de maio, como um protesto contra o sistema financeiro do mundo; ataque contra o centro de detenção, em setembro de 2010, com a exigência de libertar todos os detentos. Ihar pode ser condenado a uma pena de reclusão de 12 anos.
    Aliaksandr Frantskevich está enquadrada por:
    • Participação na manifestação ilegal antimilitarista; ataque a uma delegacia de polícia na cidade de Soligorsk durante os dias de ação conjunta contra a polícia;
    • Ataque informático à página eletrônica municipal de Novopolotsk. Aliaksandr está ameaçado com 10 anos de prisão.
    Quanto ao caso do ataque a sede da KGB na cidade de Bobruisk em outubro de 2010, numa ação de solidariedade com os presos em setembro, agora Jauhen Vas’kovich, Artsiom Prakapenka e Pavel Syramolatau são os alvos da investigação. Todos eles podem ser condenados a uma pena de reclusão de 12 anos.
    Vale ressaltar que, inicialmente, todos os detidos foram acusados de apenas um dos episódios, em conformidade com o artigo 339,2 (vandalismo), considerando um máximo de 6 anos de prisão. No curso do inquérito mais episódios foram adicionados a cada um dos réus e o artigo foi alterado para o 218,2 (3) – destruição intencional de propriedades com pena de 12 anos de prisão. Além disso, todas as provas da acusação são baseadas no depoimento de duas “testemunhas” que tinham tomado parte em ações, mas nunca foram acusadas do crime.
    Durante a investigação mais de 50 pessoas foram interrogadas, 14 pessoas passaram desde 3 a 9 dias de cadeia. Todas essas pessoas alegaram danos psicológicos e, em alguns casos, pressão física durante o inquérito.
    No momento a maioria dos acusados estão na fase final de familiaridade com os materiais do caso. É muito provável que as audiências comecem no final de abril ou início de maio.
    Por isso, convocamos todos os interessados a promoverem ações de protestos contra as acusações injustas e de solidariedade com os anarquistas da Bielorrússia de 12 a 15 de maio de 2011. Ações de solidariedade de qualquer espécie, bem como outras iniciativas destinadas a difundir informações sobre a situação de repressão política na Bielorrússia e a participação dos advogados locais de direitos humanos para levantar a questão dos processos judiciais na Bielorrússia.
    Cruz Negra Anarquista, Bielorrússia
    agência de notícias anarquistas-ana
    sol em plenitude
    uma rã pula — em versos
    barulho de Vida
    Roséli
  • [Coréia do Sul] Anarquista sul-coreano é condenado a 18 meses de prisão por objeção de consciência

    O jovem anarquista sul-coreano Jihwan Ahn foi condenado a 18 meses de prisão por objeção de consciência em 17 de fevereiro passado, em Seul.. Ele está atualmente encarcerado na prisão de Youngdengpo e deverá será libertado em 16 de agosto de 2012. Jihwan recebeu 18 meses de prisão por suas crenças e sua rejeição ao serviço militar.
    Em sua declaração, ele afirma:
    Não vejo razões – seja num sentido legal ou mesmo moral – para explicar a vocês qual o meu critério de consciência, e a história de como esse foi alcançado, ou da veracidade dessa consciência, enquanto eu declaro que me recuso ao serviço militar, de acordo com minha própria consciência. Não estou alegando isso de uma maneira infantil, mas essa é mesmo a minha convicção. Então, eu gosto de subir uma montanha pela manhã, ou de ir à praia quando está chovendo, tirar uma soneca depois do almoço, e colher flores do campo e colocá-las num vaso em minha sala – todas essas coisas você pode fazer livremente, sem permissão. Para mim, não prestar o serviço militar é assim também – uma questão de liberdade individual. Se alguém tenta tirar essa liberdade de mim, é esse alguém que deve explicar por que faz isso. Não sou eu que tenho que explicar porque me sinto feliz quando eu colho uma flor, ou culpado por fazer isso, e todas as outras mudanças emocionais e demais razões de o porque eu gosto de colocar flores em um vaso quando eu as pegar“.
    Hoje, o problema principal é que depois da minha declaração, o processo legal vai começar. Primeiramente, é um problema pedir a alguém que é declaradamente consciente, que prove a sua consciência; e segundo, há o problema que não houveram debates o suficientes para entender o porque do estado-nação (ou melhor, a comunidade) está tirando a liberdade de alguém. Essa é basicamente uma questão de violência por parte do estado-nação“.
    Embora a Coréia do Sul tenha sido repetidamente lembrada pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU de que deveria reconhecer o direito da objeção consciente – tanto através das Observações Conclusivas ao estado, assim como em sua jurisprudência no caso do objetores conscientes da Coréia do Sul – isso não tem sido feito. Um projeto do governo anterior para introduzir o direito da objeção consciente foi derrubado pelo governo atual.
    Em novembro de 2010, 965 objetores conscientes estavam cumprindo sentenças nas prisões, de geralmente 18 meses. Atualmente, um dos casos das Observações Conclusivas que teve apelo junto à Corte Constitucional está pendente. Não obstante, as cortes continuam a mandar os objetores para a prisão.
    Cartas de apoio ao objetor de consciência Jiwahn Ahn podem ser enviadas para este endereço:
    Jihwan Ahn
    2568
    P. O. Box 164
    Geumcheon-gu
    Seul, República da Coréia
    153-600
    Tradução > Filipe Ferrari
    agência de notícias anarquistas-ana
    Uma flor desabrocha
    para a vida.
    Alegria no jardim.
    Aprendiz