Categoria: Notícias Libertárias

  • [França] Inauguração da universidade popular autogerida “Castelo no Céu”

    [França] Inauguração da universidade popular autogerida “Castelo no Céu”

    Comunicado:

    Nós fomos expulsos sob grande pompa em 4 de abril de 2013. Depois de muitas decepções, aventuras de voo alto, e peregrinações que não foram nada além de prova da nossa determinação, nossa tenacidade, nosso coração à obra, e generosidade de querer perseverar… Nós voltamos mais entusiastas que nunca! Em 13 de julho de 2013, das 11h às 18h.

    Em 13 de julho, a universidade popular “O Castelo no Céu” será vestida com suas mais belas indumentárias e oferecerá a vocês a inauguração de sua nova sede: um castelo situado na doca 71 da Perrache.

    Não aguardaremos até 14 de julho para celebrar!

    Venham com seu entusiasmo, suas ideias e a vontade de reconstruir juntos aquilo que tentaram destruir.

    A luta continua!

    Animações, debates, ateliês de permacultura, refeições repartidas, espetáculos, concertos, e muitas outras surpresas pontuarão esse dia rico em convívio, partilha e convergência.

    Desde já, não hesite em:

    • Nos contatar pelo e-mail: chateau-dans-le-ciel@riseup.net.

    • Passar para nos encontrar, tomar um café e discutir amigavelmente.

    • Propor sua ajuda nos espaços coletivos que estiverem em curso.

    • Propor projetos de atividades.

    • Propor seus projetos de animação para o dia da inauguração.

    Somos muitos e entusiastas!

    São vocês quem vão retomar o espaço para fazer dali um espaço de liberdade, de criação e de mudança que vos congregue!

    Apresentação da universidade popular autogerida:

    Num espírito de mudança e de compartilhamento, essa universidade popular tem por meta por em comum ideias, conhecimentos, saber-fazeres, e cultura… um salão de chá e café livre e ainda uma biblioteca e uma sala de informática serão acessíveis a todos. No local, vocês descobrirão os vários ateliês propostos: teatro, palhaçaria, café-debate, projeções de documentários e de filmes. Grandes discussões serão organizadas, conferências, jardinagem, atividades manuais e uma cozinha partilhada. Os muitos visitantes enriquecerão as mudanças.

     “O Castelo no Céu” é uma universidade popular autogerida que tem por vocação agregar os ateliês manuais, conferências, cursos… etc.

    Uma assembleia pública terá lugar toda sexta às 19 horas a fim de discutir a gestão do lugar.

    Ela será completada por uma assembleia dos habitantes nas segundas, quando os pareceres serão publicados.

    Filosofia de vida

    Chegando nessa universidade, vocês entrarão em:

    • Um lugar sem hierarquia entre as pessoas e os saberes;

    • Um lugar que se quer aberto à cada ideia e à cada projeto. Você pode propor ou participar;

    • Um lugar que visa autonomia pela reflexão, a decisão e a elaboração de soluções coletivas;

    • Um lugar de boa vontade onde se aprende a escutar mutuamente, a trabalhar juntos e partilhar;

    • Um lugar autogestionado onde participar da ampliação da liberdade coletiva contribui para a ampliação da liberdade individual.

    Por isso, cada um por todos:

    • Respeita a integridade do outro, pelas atitudes, linguagens e atenção. Uma sala para fumantes está prevista. Venham sem drogas.

    • Respeitar o lugar garantindo coletivamente sua manutenção.

    A liberdade dos outros estende a minha ao infinito” – Bakunin

    Mais informações em: www.lyon-alter­na­tif.fr 

    Tradução > TAZ

    agência de notícias anarquistas-ana

    debaixo das folhas
    formigas se agasalham
    frio de inverno

    Sérvio Lima
  • [Espanha] Galícia: Manifestação contra touradas em Corunha reúne cerca de 2000 pessoas


    Aproximadamente 2000 pessoas se reuniram no centro de Corunha, na Galícia, no domingo (4 de agosto), para protestar contra as touradas, os maus-tratos aos animais, o uso do dinheiro público em festas taurinas e por uma Galícia livre desta cruel e bárbara prática.

    A concentração dos manifestantes começou ao meio-dia no relógio do Obelisco. Meia hora depois a mobilização seguiu pelas principais vias do centro da cidade, com os manifestantes segurando faixas e cartazes, e gritando palavras de ordem, como: “Galícia, sem touradas”, “Touradas, abolição”, “Fora o sangue das nossas festas”, “Nem arte, nem cultura”.

    A passeata acabou em frente à Câmara Municipal, com dezenas de faixas, discursos e mesmo um boneco com trajes de toureiro enforcado, mostrando com energia a oposição social às touradas. Essa foi uma das maiores manifestações anti-taurinas celebradas na cidade, segundo os organizadores do ato.

    O protesto, plural, foi organizado pela plataforma Galícia – Melhor Sem Touradas (GMST), e apoiado por entidades de defesa dos direitos dos animais e dezenas de associações e organizações políticas e sociais.

    agência de notícias anarquistas-ana

    Virada do morro:
    Ipê e seu grito amarelo
    perpendicular.

    Eolo Yberê Libera
  • [Alemanha] Ataque solidário contra a empresa ThyssenKrupp em Hamburgo


    Comunicado:

    Entre a noite de 31 de julho e o início da madrugada de 1 de agosto, o edifício da ThyssenKrupp Industrial Solution  AG, em Hamburgo, foi atacado. Foram destruídas as janelas e as portas da frente e arremessadas duas dúzias de garrafas com tinta na fachada do imóvel. A rua em frente ao prédio foi bloqueada com barricadas incendiárias.

    ThyssenKrupp é uma das maiores empresas produtoras de armas de guerra.  Seus produtos bélicos são distribuídos para forças armadas de todo o mundo.

    Este ataque foi feito em solidariedade com as compas presas Sonja e Sibylle, que tomaram uma posição inflexível contra o Estado e sua justiça. Sonja é acusada de envolvimento nos ataques da “Revolutionäre Zellen-RZ” (Células Revolucionárias) nos anos 70. Sibylle está presa por não cooperar com a justiça. O julgamento de ambas está em curso.

    Esta ação também foi dedicada à revolta de junho na Turquia. Saudações militantes para Istambul, Ancara, Diyarbakir, Eskisehir… a todos processados e presos rebeldes e em memória daqueles que caíram.
    agência de notícias anarquistas-ana

    AMOR A TERRA

    Laranja na mesa.
    Bendita a árvore
    que te pariu.
    Clarice Lispector
  • [Austrália] 3ª Feira do Livro Anarquista de Melbourne acontece neste sábado


    [A terceira edição da Feira do Livro Anarquista de Melbourne acontece neste sábado (10), a partir das 12 horas. Com a presença de diversas banquinhas de livros, as pessoas que passarem pelo Convento Abbotsford poderão conferir músicas e performances, além de terem oportunidade de participar de bate-papos e oficinas.]

    Comunicado:

    A Feira do Livro Anarquista de Melbourne será um evento livre sediado no Convento Abbotsford (Rua St. Heliers, Abbotsford) das 10h às 18h, no sábado, dia 10 de agosto de 2013. A feira do livro consiste em 40 bancas de vendedores de livros independentes e grupos ativistas. Conjuntamente às bancas, haverá em torno de 21 horas de oficinas durante o dia inteiro, sobre todo tipo de assunto no que se refere a anarquismo e ação direta.

    Também haverá um pequeno espaço infantil com voluntários para ajudar a cuidar, ou para os assistentes auto-organizarem o cuidado das crianças, ou se as crianças só quiserem brincar do lado de dentro. Para se voluntariar no espaço infantil, entre em contato conosco.

    Sobre os organizadores:

    As pessoas do “A Melbourne Events”, coletivo organizador da Feira do Livro Anarquista de Melbourne, são de uma extensa variedade de grupos anarquistas e ativistas, que incluem: Anarquistas Feministas, Livraria Barricada, Campanha Eureka, Guerrilheiros Jardineiros, Trabalhadores Industriais do Mundo, Biblioteca Kate Sharpley, M.A.C, Melbourne Indymedia, Sociedade de Apreciação Ned Ludd, The Sharehood, Squatters e Trabalhadores Aeroviários não-Remunerados (SUWA), 3CR, Grupo de Comemoração Tunnerminawait & Maulboyhneer, Upsiders, Grupo de Ação Quarta-feira, e Rede de Trabalhadores Solidários.

    Somos Margaret, Peter, Rebecca, Levin, Tristan, Dimitri, Molasses, Dave, Pauli, Lydia, Nick, Liam, Agne e Shane. Também organizamos um Acampamento Ácrata anual em março.

    Mais infos e o programa do evento:


    Tradução > Malobeo

    agência de notícias anarquistas-ana

    O vento, o galho
    balança e longe lança
    a gota de orvalho.

    Sérgio de Mesquita
  • Lançamento de documentário sobre a ocupação do Parque Gezi e o seu despejo violento


     [“Taksim Commune: Gezi Park and the Turkish Uprising” (Comuna Taksim: Parque Gezi e o Levante Turco) é o nome do mais recente documentário da série “Global Uprisings” (Revoltas Globais). O vídeo tem duração de 33 minutos, e conta a história da ocupação do Parque Gezi, seu despejo violento e a revolta em massa que sacudiu a Turquia. Abaixo uma breve apresentação dos produtores deste instigante documentário, Brandon Jourdan e Marianne Maeckelbergh.]

    Desde o final de maio de 2013, a agitação política varreu a Turquia. Em Istambul, uma grande parte da área central de Beyoglu tornou-se uma zona de batalha durante três semanas consecutivas com conflitos continuando depois. Até agora, cinco pessoas morreram e milhares foram feridas.

    Inicialmente, os protestos visavam salvar o Parque Gezi de Istambul de ser demolido como parte de um projeto de renovação urbana em grande escala. A polícia usou força excessiva durante uma série de ataques policiais, que começaram no dia 28 de maio de 2013 e que chegaram a um ponto dramático nas primeiras horas da manhã de sexta-feira, 31 de maio, quando a polícia de choque atacou os manifestantes que dormiam no parque.

    Ao longo de alguns dias, os ataques das forças de segurança cresceram para proporções chocantes. Como as imagens da brutalidade policial se propagaram por todo o mundo, os protestos rapidamente se transformaram em uma revolta popular contra o primeiro-ministro Tayyip Erdogan e seu estilo de governo autoritário.

    Este pequeno documentário conta a história da ocupação do Parque Gezi, o despejo em 15 de julho de 2013 e os protestos que continuaram durante o rescaldo. Inclui entrevistas com muitos participantes e filmagens nunca antes vistas.

    Para assistir ao documentário, clique aqui:


    Tradução > Caróu

    agência de notícias anarquistas-ana

    Em volta à fogueira,
    a dança. Avançando a noite,
    ferve a brincadeira.

    Tomoko Narita Sabiá
  • [França] Em Toulouse, autoridades despejam dois squatters


    [Nos dias 26 e 30 de julho, autoridades francesas desalojaram dois squatters em Toulouse, numa verdadeira operação “modo de limpeza”. A seguir, um comunicado da Campanha de Requisição, Ajuda Mútua e Autogestão (CREA).]

    Comunicado:

    Próximo de completar o sétimo mês de ocupação, o Centro Social Autogerido (CSA), do bairro Faubourg Bonnefoy, foi despejado nessa sexta (26) de manhã por volta das 6h30. Uma centena de policiais, a Polícia de Fronteira (PAF), Dominique Bacle da Direção Departamental de Coesão Social e uma dezena de caminhões de mudança estavam presentes no local para tirar a nós e as nossas coisas, e varrer as pessoas sem documentos logo no início da manhã (“é melhor para trabalhar, faz menos calor”, disse um policial de bigode). Enquanto cada um de nós era controlado, podíamos escutar os projetos de férias dos policiais, sob os olhares dos militantes presentes. O Estado utilizou grandes recursos para botar as pessoas na rua.

    Mais de 40 pessoas na rua, uma única noite em hotel para as duas famílias que tinham crianças presentes (as outras foram postas em albergues sem previsão de expulsão) e três pessoas encaminhadas ao posto policial pela PAF. Essas pessoas encontram-se agora com seus documentos de expulsão (Obrigação de Evasão do Território Francês), com tempo de um mês.

    E para “melhorar”, nessa terça (30) de manhã, aconteceu a expulsão da La Caillasserie, também no bairro Faubourg Bonnefoy. A prefeitura realizou seu meticuloso trabalho. A PAF e a Senhora Bacle estavam lá presentes. Vendo que ali não havia pessoas sem documentos, rapidamente retornaram a seus escritórios. O despejo foi expedido, e logo veio um trator para destruir tudo.

    Nos prédios vazios, tínhamos feito-os cheios de vida, de transformações, de organização. A Prefeitura esvazia o bairro Faubourg Bonnefoy de seus squatters e seus habitantes, e os prédios novamente se tornam vazios. E tudo isso retorna à especulação imobiliária e à preparação para a chegada do LGV (Trem de Alta Velocidade). Os pobres são postos longe da cidade, em privilégio dos grandes projetos inúteis.

    A despeito da intensa repressão, continuamos com as demandas sempre e ainda!

    Os membros da Campagne de Réquisition d’Entraide et d’Autogestion (Campanha de Requisição, Ajuda Mútua e Autogestão)

    O que é a Campanha de Requisição, Ajuda Mútua e Autogestão (CREA)?

    Uma CAMPANHA, isto é, um movimento social, um coletivo com todas e todos aqueles que queiram nele participar: os desalojados, as famílias deixadas na rua pelo Estado e pelo capitalismo, as pessoas que já não conseguem pagar as rendas de casa, as pessoas que estão fartas deste sistema, as pessoas solidárias, velhos, crianças, estudantes, desempregados, trabalhadoras precárias e sem esperança de uma remuneração decente…

    Pela REQUISIÇÃO, há cada vez mais habitações vazias, cada vez mais gente que vive na rua e na miséria. Assim, nós que não esperamos nada do Estado e das autoridades que nos desprezam, requisitamos diretamente todos os edifícios e casas vazias, com aquelas e aqueles que têm necessidade. Não só para nos alojarmos mas também para organizarmos aí toda uma variedade de atividades, workshops, livres e gratuitos, postos à disposição dos bairros. Esta forma de alojamento, permite-nos a emancipação, uma maior disponibilidade para uma melhor reflexão noutros modos de vida, de organização, etc.

    AJUDA MÚTUA, nós não recebemos qualquer subvenção, nem desejamos alguma no futuro. Nós baseamos-nos na solidariedad e, na recuperação, na reciclagem e na partilha para nos alimentarmos, nos vestirmos, nos mobilizarmos, e até para festejarmos a vida. Quanto às bases dos nossos encontros, elas guiam-se pela aprendizagem, troca e desenvolvimento dos saberes…

    E a AUTOGESTÃO, nós não temos chefes, nem queremos. Tudo é decidido nas Assembleias Gerais que são reuniões públicas. Nós somos numerosos na CREA a tentar ultrapassar esta sociedade piramidal baseada no dinheiro, no poder, no racismo e no sexismo. É assim, que juntos, procuramos maneiras para destruir estas opressões que nos incomodam.

    Pensamos firmemente que o Estado não é a solução, que ele faz parte do problema e que melhor que ninguém, nós somos as pessoas mais aptas para cuidar de nós. Assim, desde já, nós substituímos tudo isso, aqui e agora, pela solidariedade, pela igualdade e pela autonomia, reais e concretas.

    Vídeo “O que é a CREA?”:


    Tradução > Tio TAZ

    agência de notícias anarquistas-ana

    Me comovem
    tuas mãos limpas
    e tua cabeça suja.

    Eliane Pantoja Vaidya

  • [Ucrânia] Relato do Acampamento Anarcofeminista Good Night Macho Pride 2013


    [Segue abaixo um relato do que rolou no Acampamento Anarcofeminista Good Night Macho Pride 2013, realizado na Crimeia, em uma zona rural, entre os dias 13 e 17 de julho. O encontro reuniu ativistas da Ucrânia, Rússia, Polônia e Alemanha.]

    Entre 13 e 17 de julho aconteceu na Ucrânia o Acampamento Anarcofeminista Good Night Macho Pride 2013. Participaram representantes de diversas organizações antiautoritárias (Ação Autônoma, União Autônoma de Trabalhadores, União Internacional de Anarquistas) e também anarquistas não organizados. O evento contou com muita gente da Rússia (Moscou, São Petersburgo, Ekaterinburgo) e da Ucrânia (Kiev, Khárkov, Lvov). Também marcaram presença pessoas da Cracóvia (Polônia), Colônia e Hamburgo (Alemanha).

    Todas as questões sobre o funcionamento do acampamento foram decididas através do consenso na assembleia geral. A alimentação, servida 3 vezes aos dia, era vegana e muito saborosa. No acampamento foi organizado um “espaço feminino”, para que a permanência das mulheres fosse mais confortável, minimizando assim a pressão patriarcal sobre a personalidade. Tinha menos homens no acampamento do que mulheres, porém seu número fora significativo para um evento feminista. Nas bancas de materiais era possível encontrar revistas feministas e anarquistas.

    Durante o dia aconteciam várias oficinas e bate-papos sobre temas atuais. Foram apresentados diversos projetos feministas, como o zine “Martelo das Bruxas” e o sítio “Svobodna!”. Também houve uma série de discussões, abordando os casos da banda punk feminina Pussy Riot, da anarquista e antifascista presa em Moscou Irina Lipskaia, dos presos de 6 de maio e as possíveis ações de solidariedade. Por outro lado, aconteceram treinamentos de autodefesa e de superação das hierarquias dentro dos coletivos, e também um grupo de crescimento da consciência. As ativistas da Ucrânia compartilharam as experiências de resistência às leis contra o aborto, que estão sendo movidas pelo partido de ultradireita “Liberdade”. Squatters de Sevastópol falaram sobre o projeto do Centro Social Cultural e de diversos aspectos de ocupação das casas desocupadas na Ucrânia.

    Europeus compartilharam as experiências de criação de coletivos anarcofeministas em seus respectivos países. Se na Alemanha esta criação é bastante fácil, na Polônia existe uma aversão ao feminismo devido às ideias de ultradireita, muito difundidas no país. Ativistas de Hamburgo falaram sobre um time de futebol chamado St. Pauli e o fanatismo dos seus torcedores, e acerca das percepções do sexismo e homofobia dentro do movimento antifascista alemão como um todo. A participação de ativistas de outros países é muito interessante, pois devido à predominância do machismo dentro da cena anarquista do Leste Europeu é necessário conhecer as experiências progressistas de combate a ele em outros lugares e praticar a relação com anarquistas de outros países, sem se isolar e se fechar.

    Uma atenção especial foi dedicada aos conflitos dentro do movimento anarquista e ao machismo dentro da cena. Cada um compartilhou a situação que se dá em sua região e caminhos de saída destas situações de conflito. Também foram discutidas as possibilidades de comunicação e apoio mútuo de diversos grupos anarcofeministas, do espaço pós-soviético e europeu.

    Em geral, o encontro foi bom, sem excessos sérios. Foi discutida a possibilidade de outros encontros com o assunto anarcofeminista como eixo – hoje em dia, um fórum com temática de gênero é um caso raro. O feminismo é muito importante para os movimentos anarquista e antifascista, uma vez que a discriminação pelo gênero virou norma, não somente na sociedade em geral, mas entre companheiros de esquerda. Para combater esta discriminação é necessário prestar mais atenção às questões de gênero no contexto anarquista, juntamente com outros problemas sociais. O feminismo liberal se esgotou completamente e, para a malta anarquista, é importante à ação juntamente com os movimentos que reivindicam a igualdade de gêneros e a luta em conjunto contra o sistema vigente.

    Tradução > A vagalume

    agência de notícias anarquistas-ana

    uma folha salta
    o velho lago
    pisca o olho

    Alonso Alvarez
  • [EUA] Entrevista a Mumia Abu-Jamal sobre a música negra


    [Mumia conversa com Michael Coard sobre música negra desde os tempos da escravidão até a época do hip hop, passando por sua entrevista com Bob Marley em 1980. É o segundo episódio do Radio Prision Show realizado em 3 de julho em 900AM-WURD, na Filadélfia. Agora este programa se transmite todas as primeiras quartas-feiras de cada mês, às 11 horas da manhã, durante o último segmento do programa Radio Courtroom (Tribunal pela Rádio). Se perdeste o programa, leia a transcrição abaixo.]

    Michael Coard > Este é o Radio Prision Show, um segmento do Radio Courtoom Show, aqui em 900AM WURD, apresentando Mumia Abu-Jamal. Vocês se lembrarão de que mês passado Mumia esteve conosco para a estreia do Radio Prision Show. Vamos conversar sobre vários temas, mas para alguns de vocês que talvez não conheçam o nome de Mumia Abu-Jamal, digamos que tem vivido em uma jaula durante as últimas duas décadas, permitam-me lhes dizer quem é: um pai, um esposo, um autor e um inquilino temporário de uma prisão, mas um revolucionário permanente. Sem mais delongas, aqui está conosco Mumia Abu-Jamal. Como está Mumia?

    Mumia Abu-Jamal < Mais ou menos bem, Michael. É um bom dia para estar vivo. E um bom dia para estar conversando contigo.

    Michael > Bem dito, Mumia. Tenho que te dizer que no mês passado quando fizemos nosso primeiro programa, a sala estava abarrotada, não sobravam assentos, se tal coisa é possível para um show de rádio. As pessoas ficaram assombradas. As convidei a mandar suas perguntas para conversar contigo sobre elas, mas disse que nos primeiros programas queremos escutar sua voz e o que tem a dizer. Agora estamos no mês de julho e você vai estar conosco nas primeiras quartas-feiras de cada mês. Mas uma das coisas que não tivemos a oportunidade de conversar contigo foi a respeito de música. Impressiona-me cada vez que escuto mais sobre você. O que quero dizer é que conheço seu trabalho para os despossuídos, os desamparados, conheço sua luta como revolucionário, mas esta não é a totalidade de Mumia Abu-Jamal. De fato, me interei ao conversar com outras pessoas que você sabe muito mais de música que alguns chamados profissionais da música. Alguém me perguntou por que não havia falado contigo mês passado sobre o mês da Música Negra e o que significa para você, o que significa para nosso povo e o que significa para os revolucionários, porque há aqueles que pensam que se você está ai, na primeira linha lutando pelas pessoas, não pode apreciar a música. Fale-nos sobre tudo isto, começando com a importância da música, se é que é importante, e em particular a música negra.

    Mumia < Então, acho que a música negra tem uma importância vital. Quando pensa em nossos antepassados que chegaram principalmente de várias partes da África Ocidental, o que nos ajudou a suportar a noite escura da escravidão foi a música. Por que seria um crime tocar tambores? O que aprenderam os inteligentes observadores da gente africana foi que na África e em outras partes das Américas, era possível enviar mensagens sobre imensos espaços com os tambores. Assim se comunicaram e por isso o fizeram ilegal. O que fizemos é o que sempre fazemos. Usamos o que tínhamos para superar a situação e prevalecer. Os irmãos e irmãs em grilhetas bailaram. Seus pés descalços golpearam a terra. Bailaram. Cantaram. Deixa eu te dar um exemplo.

    Michael > Sim, sim.

    Mumia < Há vários anos li um livro autobiográfico escrito por uma das pessoas mais importantes das Américas. Chama-se “A Narrativa da Vida de Frederick Douglass”, publicado primeiro em 1845. Te dou uma breve citação.
    Michael > Sim, por favor.

    Mumia < É sobre o poder das canções que se conhecem como “as espirituais”, para que entenda. Diz: “Quando eu fui escravo não compreendi o significado profundo dessas canções rudes e aparentemente incoerentes, eu mesmo estava dentro do círculo, por isso não via, tampouco escutava o que alguém de fora poderia ver ou escutar. Contaram uma história de infortúnio que ia além de minha pobre compreensão. Os tons eram fortes, longos e profundos. Exaltaram as preces e queixas de almas que ferviam com a angústia mais amarga. Cada tom foi um testemunho contra a escravidão e uma oração a deus para libertá-los de suas correntes. Escutar essas notas selvagens sempre deprimia o meu espírito e me enchia de uma tristeza indescritível. Com frequência eu chorava ao escutá-las. Até agora a repetição dessas canções me aflige. E enquanto escrevo estas linhas uma expressão de sentimento me corre pelo rosto. Essas canções me levaram a minha primeira tênue percepção do caráter desumanizante da escravidão. Nunca posso me desfazer dela. Essas canções me perseguem para afiar meu ódio pela escravidão e avivar minha simpatia com meus irmãos e irmãs em grilhões”.

    Este é Frederick Douglass quem nos dá um sentido da força que nossa gente conseguiu comunicar, do profundo sentimento que transmitiram em nossas “espirituais”, as quais eram nossa primeira forma de música nas Américas. Devido ao fato desta ser a nossa única maneira de se expressar, houve uma explosão, geração após geração de gente negra se expressando através da música. Este era o espaço onde dizíamos: somos seres humanos, exigimos liberdade e isto é o que sentimos. Era uma maneira de nos comunicarmos não só entre nós, senão com todo o mundo. E agora, que música negra não é mundial? O rap se escuta em cada canto do planeta. A música pode ser uma ferramenta revolucionária se usada corretamente.

    Michael > Bem dito, Mumia, e me agrada que ao princípio de seu comentário deixou claro que estava citando a narrativa de vida de Frederick Douglass escrita em 1845. Se você não tivesse esclarecido, eu poderia ter pensado que se referia a John Coltrane em 1965.

    Mumia < (risos) Soa assim, sério?

    Michael > Absolutamente. É muito poderoso. Antes que se acabe o tempo Mumia, gostaria de escutar seu ponto de vista sobre o rap, sobre o hip hop. Tenho lido seus escritos sobre muitos artistas. O que diz agora? Eu dou aulas sobre hip hop e me parece que muitas pessoas que tem mais de 40 anos o desaprovam. Dizem que é destrutivo, que é negativo, que não tem nada a ver com os velhos tempos, com a idade dourada do hip hop. Que acha disso tudo?

    Mumia < Se me permite, tenho duas respostas. Uma é de memória e outra é uma nota que escrevi em preparação para momentos como este.

    Quando Miles, o grande Miles Davis ainda vivia e estava tocando todo tipo de música, algumas pessoas o criticavam por suas mudanças, suas adaptações, suas criações. E Miles, sendo Miles, disse “Só há dois tipos de música – boa e ruim”. Pois bem, existem dois tipos de rap, bom e ruim. A música que te prende obviamente é a boa. A que não te alcança é ruim para você. Mas eu entendo que não se componha para pessoas de sua idade ou para minha idade. Compõe-se para gente mais jovem.

    Michael > Sim, sim.

    Mumia < Tenho outra citação. Do livro de Jay-Z, “Decoded” (Decifrado). Esta citação me impressionou porque penso que nos diz muito: “Penso que nós, os rappers, os DJs, os produtores fomos capazes de contrabandear algo da magia daquela civilização moribunda em nossa música e usá-la para construir um novo mundo. Éramos meninos sem pais. Por isso encontramos nossos pais na cera, nas ruas e na história. Em certo sentido, isto é um presente. Podemos escolher os antepassados que haviam inspirado o mundo que íamos criar para nós mesmos. Era parte do espírito e valores dos tempos e do lugar e se incorporou na cultura que nós criamos. Já se tinham partido nossos pais. Normalmente, se recuperaram. Mas tomamos seus velhos discos e os usamos para construir algo fresco”.

    Isto é poderoso em muitos níveis.

    Michael > Sim, é sim. Nunca imaginei que chegaria o dia quando estaria citando Mumia e Jay-Z ao mesmo tempo, mas é exatamente o que vou fazer. Mumia, você mencionou que há bom rap e mal rap. Qual sua posição sobre a chamada vulgaridade, a profanidade que vem até dos chamados rappers conscientes ou progressistas? Vê isso como algo desfavorável, algo negativo?

    Mumia < Bem, eu não sou doutrinário sobre isso, por haver estado perto do pessoal do MOVE durante tantos anos, me acostumei a escuta-los usar o que se chama de “profanidade”. Mas eles dizem que não há nada mais profano que uma bomba, uma bomba atômica ou uma bomba de hidrogênio. Há gente que as constrói e as utiliza e isto não é entendido como uma profanidade. Por outro lado, se escuta uma palavra, te tiram uma onda. Eles queriam dizer que as palavras seguramente tem seu poder, mas os governos e estados tem outro tipo de poder e usam sua lei, seus exércitos, seus policiais e tudo para impor um tipo de obscenidade às pessoas diariamente. E suas ações não se entendem como obscenidade. A mim não me molestam as palavras porque todos as usamos. A questão é para quê.

    Michael > Falando das palavras, sei que as usa para falar dos grandes músicos que você como jornalista entrevistou, entre eles Bob Marley. Conte-nos sobre isto.

    Mumia < Uau! Em que ano foi?  1980, creio. Ele havia chegado a Filadélfia e se encontrava em um hotel na cidade. Falei com seu agente e consegui uma entrevista. Fui ao hotel com uns irmãos e, como te direi? Compartimos o sagrado sacramento.

    Michael > (risos) Ah sim, a comunhão, como não.

    Mumia < Tremendo. Poderoso. (risos) Bob Marley era uma alma realmente linda. Uma alma amorosa negra. Uma alma amorosa do mundo. Fizemos uma entrevista de mais ou menos vinte minutos.

    Michael > Sim, te escutamos.

    Mumia < Ele falava de como quisera que o povo negro neste país conhecesse ao movimento rastafári e escutasse ao reggae, que usasse dreadlocs e pensasse na África, coisas assim. Doía-lhe que poucas pessoas negras neste país assistissem a seus shows ou escutassem sua música ou a de outros artistas do reggae. E isto era certo naquele momento. Não acredito que seja agora. Mas sim o doía. Na verdade fizemos uma entrevista maravilhosa, muito bonita. Foi algo do mais memorável na minha vida, conhecer um dos meus heróis musicais, Bob Marley.

    Michael > E falando de entrevistas maravilhosas, esta está para terminar. Conte pra gente nos últimos quarenta segundos, quem são alguns dos seus favoritos MCs e artistas de hip hop. Seguramente Public Enemy, Dead Prez, The Coup, Immortal Technique.

    Mumia < Eu gosto dos irmãos que dizem muita verdade e colocam muita alma, muito espírito em sua música. KRS é lendário. Existem muitos irmãos talentosos e irmãs também.

    Michael > Immortal Technique. Que acha?

    Mumia < Immortal Tech. Um monstro.

    Tradução > Caróu

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    agência de notícias anarquistas-ana

    No final da tarde
    compridas sombras no muro.
    E o som dos teus passos…

    Regina Carvalho
  • [Grécia] Forças de segurança desalojam 3 espaços okupados em Patras


    Hoje, 5 de agosto, por volta das 7 horas da manhã, a polícia grega invadiu 3 okupas na cidade de Patras. Trata-se, especificamente, do espaço okupado Parartima, da okupa Maragopoulio e do Espaço Autogestionado nas instalações do Instituto Tecnológico Educacional (TEI). As forças de segurança confiscaram equipamentos e materiais das 3 okupas e emparedaram as entradas dos edifícios.

    Durante a repressão, 16 compas foram detidos, 5 que resistiram ao ataque desde o telhado da okupa Maragopoulio e 11 solidários que tentavam se aproximar dos fatos, enquanto se desenrolava o despejo.

    Por volta das 14 horas (horário local), foi anunciado que as autoridades haviam liberado os 11 solidários, enquanto que os outros 5 ainda permaneciam detidos  na delegacia. Ao mesmo tempo, acontecia uma concentração solidária e contrainformativa na praça Olgas.

    Fotos:


    agência de notícias anarquistas-ana

    chuva na praia
    o céu beija o mar
    – gaivota espera

    Zezé Pina
  • [EUA] Chamado para artistas: Exibição de Arte da Feira do Livro Anarquista de Nova Orleans


    Comunicado:

    Você é um incrível artista antiautoritário? Seus trabalhos são à base de texto ou arte em livros? Caso a resposta seja sim, queremos mostrar seu trabalho na Feira do Livro Anarquista de Nova Orleans. Textos ou livros são encorajados para envio, mas não há limitação de categorias. Por favor, envie-nos a arte que você sente que deve constar na nossa exposição.

    Limitado a 3 assinaturas de trabalho por artista.

    Favor enviar e-mail para abookfair.artexhibit@gmail.com. Favor incluir também imagens da obra, dimensão e preço (se está a venda).

    Se a obra for vendida, serão coletados 10% de comissão. Os fundos arrecadados irão para Books 2 Prisoners (Livros para Prisioneiros).

    Em função do espaço limitado de exibição, as obras serão selecionadas dentre as enviadas. Se sua obra for selecionada, deve estar pronta para exposição (se necessário, emoldurada). Se existem critérios para pendurar/expor sua obra, por favor, inclua uma descrição no e-mail de requisição.

    Datas importantes:

    Feira do Livro/Exposição de Arte ocorrerá nos dias 18, 19 e 20 de outubro.

    Abertura da Exposição: sexta-feira, 18 de outubro.

    Limite de registro de obras: 19 de agosto.

    Notificação das obras selecionadas: primeira semana de setembro.

    Prazo de chegada das obras: quarta-feira, 16 de outubro.

    Data de coleta: domingo, 20 de outubro.

    Mais infos:


    Tradução > Malobeo
    agência de notícias anarquistas-ana

    Ninho de colibri,
    no cantinho da varanda,
    no vaso de avenca.
    Angela Togeiro Ferreira